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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Ars longa vita brevis est (II)

Ars longa vita brevis est (II)


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


De escrever versos belos, sem fim,
Não se cansaria o poeta,
Nem de olhar, admirado, enfim,
Teus olhos que sonhos lhe emprestam.

Ah! Mesmo que passasse o tempo
Como folha ao sabor do vento,
E dele roubasse a mocidade,
Ainda assim, em todo momento,
Serias tu a felicidade.

Mesmo que a vida lhe negasse
Tudo, a sua razão de viver,
Não importa o que ele passasse, 
Ainda, creia, serias tu, deusa.

Apenas não peça para te esquecer,
Pois, isso seria tal qual morrer,
Faria fútil a poesia,
Sua fé iria emurchecer
Qual nunca tivesse melodia.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 09 de setembro de 1995
Abraço!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Nossos enigmas

Nossos enigmas


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


No trilho do tempo caminhamos,
Andarilhos semelhantes,
Mas, não exatamente iguais.

Cada um carrega seu sonho.
Alguns são nobres
E outros, pobres.

Todos caem as vezes,
Indiferente se são frágeis ou fortes.

Todos sorriem,
Alguns de verdade,
Outros, por fingimento.

Todos choram pelo menos uma vez,
Porque todos amam um dia,
E o amor muitas vezes fere.

Alguns matam,
Outros morrem,
E ainda outros observam da distância
De sua indiferença.

Somos apenas humanos.
Caminhamos lado a lado
E não nos conhecemos.

Somos tão semelhantes,
Mas nunca exatamente iguais.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 31 de maio de 1992
Abraço!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Penso em você

Penso em você

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Sempre que eu pensar em você
(De fato, não sei te esquecer),
Quero recordar-lhe qual flor,

Bela e airosa, perfumada e mulher,
Que não se define uma musa qualquer,
Trazendo em cada pétala a luz do amor.

Lembro de você como a mais linda das canções,
Aquela que o tempo não furta de nossos corações,
Que cria a eternidade de um instante,

Que dá a este poeta uma razão de viver
( O que fazer se meu hálito de vida vem de você?).
Ah, lembrar de você é uma constante!

Lembro de você com tanta saudade
Que até parece que está distante.

E lhe espero como se espera um sonho,
Com ternura infantil, rosto risonho,
E o coração enlouquecido e pulsante.

Penso em você como a musa perfeita
Que me rouba a rima, tão perfeita
Em seu sorriso, sorriso de anjo, de menina.

Penso em você a cada verso desta poesia,
Trazendo em seus gestos tanta magia,
E em seus olhos a malícia feminina.

Lembro de você qual noite de luar,
Qual pássaro a voar, 
Mágica e romântica, livre e displicente.

Lembro de você qual chama ardente
Que me enlouquece, me faz impudente,
Fazendo-me seu simplesmente.

Lembro de você como meu mundo,
Como se fosse ( e é) a vida.
Lembro de você porque lhe amo
E lhe amarei até que não haja mais vida,
Até que não queira viver em meu sonho,
Até que a razão esteja perdida,
Eu sempre pensarei em você.

Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 05 de março de 1995
Abraço!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Alguém igual a ninguém

Alguém igual a ninguém


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Era ele apenas um menino,
Sozinho, sem referência maternal,
Paternal, ora! , sequer um parente.
Dolente e, assim mesmo, tão forte.

Maltrapilho, sujo e ignorado,
Maltratado por puro preconceito,
Desfeitos seus sonhos de felícia -
Malícia de seus espectadores.

Matar a fome exigia roubar.
Lar, se teve, ninguém sabia dizer.
Viver, para ele, era uma luta,
Labuta solitária dum herói.

Não tinha amigos com quem brincar.
Chorar já não sabia, esquecera.

Desaparecera ele um dia.
Fazia frio e ele na rua - 
nua verdade que ninguém se importou.
Restou vaga lembrança anônima.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 23 de março de 1995
Abraço!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Una

Una


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eis que no arrebol ela passa, airosa,
Deliciosa, uma deusa desdenhosa,
Pele morena e um jeito provocante,
Voluptuosa, ginga de mulher fogosa,
Suave qual flor, rara como diamante.
Ah!, tivesse eu, tão ardente rosa!

No entanto, não pertence ela a ninguém.
Talvez seja afetação e esnobismo,
Ou, quem sabe, tenha medo de amar alguém,
Ser traída e atirada num abismo.

Deus! Isso, ironicamente, encanta -
Essa síntese gostosa, misteriosa,
De quem é poderosa e em tudo manda,
E, num átimo, criança frágil, chorosa.
Ora, quem é essa fada maliciosa?

Trago, marcada a ferro, nesse meu peito,
Esperança de tocar seu corpo amado,
Saber os segredos desse anjo perfeito.
Será nosso encontro, acaso, um fado?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de dezembro de 1994
Abraço!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Por amor

Por amor


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Por amor o coração descompassa,
Bate desafinado, intensamente,
Faz um silêncio que não passa,
Grita, enlouquecido, demente.

Por amor a alma faz segredo,
Se arrisca num mundo estranho,
Voa além dos seus medos,
Encanta-se com o seu mistério tamanho.

Por amor o corpo inventa desejo,
Queima de febre, mágico fogo,
Se rende ao santo pecado dum beijo,
Vence, sutil, seu inconsequente jogo.

Por amor damos o nosso melhor,
Aprendemos a compartilhar sonhos,
Dividimos, sobrevivemos ao pior,
Somos guerreiros, infantes risonhos,
Coração, alma e corpo numa nota só.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 11 de maio de 2013
Abraço!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

À Fulana flor

À Fulana flor


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


 Não sabes que és bela, ó flor campestre,
Triste, num canto, não sabes que és bela?
Não sabes que invejam teu olor silvestre,
Que sem ti não existe primavera?

Não me fales das rosas, tão orgulhosas.
Elas não tem (tão pobres!) tua ternura.
Não te disseram que tu és mui formosa?
As rosas não exalam a tua doçura!

Tantas cobiçam tua simplicidade,
Coisa rara, teu bucólico sorriso.
Saibas, não precisas chorar, ó beldade.
Tu és a flor mais bela do paraíso.

Não sabes que esta poesia é tua,
Que este poeta, por ti, se enamorou?
Não sabes que Diana, ao ver-te nua,

Linda, de puro despeito, se ocultou?
Te amo demais para não falar da tua
Inocente beleza que me encantou.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 23 de março de 1995
Abraço!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Docemente

Docemente


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Não quero um amor qualquer,
Desse que se inventa
Num final de noite,
Como se o sentimento
Pudesse ser reduzido
A um qualquer brinquedo.

Não quero apenas
A posse ardente da paixão,
Esse fogo intenso que, sozinho,
Não promete futuro
Nem gera o aconchego do colo
Depois do sexo.

O que quero é a paz
De um abraço longo,
A certeza de que ambos
Estaremos aqui até um fim
Além de nossos corpos.

O que quero é a doçura do sorriso
Em cada amanhecer,
A meiguice de ser compreendido
E de compreender
Até mesmo na sutileza
Dos pequenos gestos.

O que quero é o toque nas mãos
Com gosto de cumplicidade,
É o beijo suave que diz:
- " você me faz bem!",
É o prazer de estar com alguém
Por toda a vida.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 31 de outubro de 2013
Abraço!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O paraíso é aqui

O paraíso é aqui


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


O paraíso é aqui,
Onde um brilho no olhar
Nem sempre é felicidade
E as vezes prologa uma lágrima.

O paraíso é aqui,
Onde a vida é perfeita
Em sua medíocre imperfeição,
Onde o pecado exige, inescusável,
O alto preço da dor.

É aqui o paraíso,
Onde o homem é indígete
E inexausto em sua constante luta
Contra si mesmo,
Onde a esperança sobeja
Como o mais excelso sonho.

O paraíso é aqui
Dentro de cada um de nós,
Onde o amor permite o êxtase,
Essa vontade de tentar mais uma vez.

Aqui, onde, em meio aos espinhos,
É possível descobrir a mais estética flor:
Nossa capacidade de extravasar os sentimentos
E superar a nós mesmos.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 05 de junho de 1994
Abraço!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Donos de nada

Donos de nada


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


O destino sempre nos surpreende numa curva,
Como se fora um ladrão em noite escura,
Como, num dia de verão, a chuva

Que cai de repente, imprevisível,
Formando uma enxurrada intransponível
Entre a lógica e o sentimento impossível.

Ah! , é um jogo com cartas marcadas,
De intenções mascaradas,
Onde nós somos as cartas.

É a indecisão entre o mal ou bem,
O desconhecer o errado ou certo,
Que nos faz vítimas deste desdém
De quem vende água no deserto.

É o amor à espreita em cada esquina, 
A dor à espera dos restos da caça,
A saudade com ares de felina,
O aplauso ao nosso espetáculo cheio de graça.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 02 de agosto de 2000
Abraço!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Gênese

Gênese


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Quando a saudade é espinho
E não a flor perfumada;
Quando do cálice de vinho
Só resta dor e mais nada;

Quando quero apenas chorar
E preciso sorrir;
Quando tenho tanto para falar
E ninguém para me ouvir;

Quando a noite é interminável
Como o eterno caminho dum cometa;
Quando o pranto é inevitável
E eu só tenho papel e caneta;

Quando o sentimento é tempestade
E eu tento fingir bonança;
Quando da máscara de majestade
Resta o medo, igual criança;

Quando minha alma parece vazia -
Eis-me aqui, destilando poesia.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 06 de maio de 2001
Abraço!



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Um soneto por acaso

Um soneto por acaso


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Poesia é espasmo de saudade,
É canção que lembra a mulher amada,
Um misto de fantasia e verdade,
Um gosto de tudo onde não há nada.

Poesia é ver sorrir o seu olhar,
É ver seu corpo brincar de mistério,
É ver seus lábios, sutis, insinuarem
Inocência, brejeiros: - "te quero".

Poema é grito que sai num sussurro,
É lágrima que dói por trás dum sorriso,
É uma abraço que nunca acontece,

São palavras que, tolas, nunca são ditas,
É a magia de uma flor sentida,
Enfim, são momentos que nunca se esquece.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 13 de novembro de 1995
Abraço!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A uma mágica interrogação

A uma mágica interrogação


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Num breve muxoxo te fizeste diva,
Me fizeste desejar teu amplexo,
Fizeste minha imaginação festiva,
Corredeira de rio, perigo sem nexo.

Com um olhar de fêmea possessão
Acordaste meu infante e agreste instinto,
Inculpe qual anjo descobrindo a emoção,
Cálida como o mais saboroso vinho,

Entorpecendo os mais bravios sentidos,
Como se fora um demônio ainda inocente,
Uma Eva em meu paraíso bandido,

Uma mulher, uma deusa, deliciosamente,
O pecado de perdão revestido,
Um fogo, uma febre, um sonho insistente.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de julho de 2000
Abraço!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Retrato de um pobre de espírito

Retrato de um pobre de espírito


  Foto; Daniel Carvalho Gonçalves


Sou pobre quando ignoro
o riso do meu semelhante,
quando, superior, 
eu rio dos ignorantes.
Sou pobre quando acredito
que sou capaz de comprar um sorriso
ou cobrar pelo meu.
Sou pobre quando sou preconceituoso,
quando vejo a cor da pele,
cultura ou posição social.
Sou pobre quando sou meio-amigo,
quando não divido os bons e os maus momentos,
quando me esqueço que os outros também choram.
Sou pobre quando imponho meus ideais,
quando roubo dos outros a liberdade de escolha.
Sou pobre quando sou egocêntrico,
quando amo buscando meus interesses,
quando me dou de alma e corpo
esperando que me paguem em dobro.
Sou pobre quando eu minto,
quando tiro de alguém o direito de saber a verdade,
quando não sou o que de bom esperam de mim.
Sou pobre quando não sorrio
a quem precisa de um sorriso.
Sou pobre quando não vejo meus defeitos,
quando não condeno meus erros.
Sou pobre quando não sonho,
quando não creio na possibilidade,
quando não me importo com os sonhos de alguém.
Sou pobre quando digo mil palavras
e nada sinto.
Sou pobre quando não sei me silenciar.
Sou pobre quando sou forte
e zombo dos fracos,
quando poderia ajudá-los.
Sou pobre quando creio que não preciso dos outros.
Sou pobre quando não sei amar.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 03 de setembro de 1992
Abraço!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Destino de Ícaro

Destino de Ícaro


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eis uma borboleta adejando, bisonha, numa manhã de primavera!
Tão bela e airosa, pueril e contente, perdida em sua quimeras.

Como era gostoso bailar por entre as flores perfumadas! Oh, encanto!
Era tão bom afagar aquelas pétalas, provar daquele pólen tão santo.

Naquela manhã ela sentia-se princesa, quase deusa, no paraíso.
Suspirou, feliz, quase em êxtase, e deixou-se desabrochar num sorriso.

Porém, por desventura do destino, aspirava, em sua fragilidade,
Alcançar, apaixonada, o garboso febo que fulgia felicidade.

Nem mesmo um deus poderia mudar seus sonhos. O amor muitas vezes cega,
E ela partiu ao encontro do seu amado - as vezes o coração erra.

Voou durante horas intermináveis - ele ficava cada vez mais longe.
Veio a sede, a fome. Oh, onde estavam as flores? Estavam distante.

Quis voltar, mas já não tinha forças, restavam apenas cansaço e lembranças.
Como era gostoso bailar por entre as flores perfumadas! Ai, criança!

Caiu, exânime, solitária em seus devaneios. Ai, melancolia!
Ninguém chorou por ela naquele dia, exceto quem fez esta poesia.

Mas, quem, um dia, irá dizer que ela não foi feliz em seu pequeno sonho?
Quem dirá que as lágrimas não foram compensadas por seu rosto risonho?



Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 30 de novembro de 1995
Abraço!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

À malícia de uma flor

À malícia de uma flor


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


As vezes, como um sonho, és surpreendente.
Bem sei, tens a malícia de uma serpente,
És sutil e fugaz, prenúncio de pecado.

E se acaso és espinho e não a rosa,
Me encantas muito mais, tão maravilhosa.
Teu sorriso jocoso, teu brilho encantado

Faz do homem um menino tolo, indefeso,
Faz parecer que conhece todos os meus segredos,
E eu me vejo despido de corpo e alma.

De repente, como mágica, és inocente,
Transforma-se num anjo frágil e dependente,
A irradiar, veneranda, símplice calma.

Nesse momento és a rosa e não o espinho,
É s flor-menina a despertar, em mim, carinho.
Procuras o meu abraço qual fosse abrigo,

E o menino em mim se faz homem, te ama
Como és, mulher-menina, anjo-serpente, ah! ,
Te ama porque és única, és meu abrigo.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 05 de dezembro de 1995
Abraço!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Testamento de poeta

Testamento de poeta


  Foto; Daniel Carvalho Gonçalves


Deixo para as flores, doces flores,
Os sonhos que não pude realizar.
Deixo também minhas secretas dores
Para um poema que alguém inventar.

Deixo para as estrelas, tão inocentes,
Todas as palavras que eu não disse.
Algumas, impudicas, displicentes.
Outras, santas e de alvas matizes.

Deixo para o amanhecer o perfume
Dos carinhos que escondi em minha alma.
Para as folhas de outono, ciúme
Dos sonhos que nascem de sua calma.

Deixo para as coisas incertas da vida
O meu orgulho, o meu egoísmo.
Deixo para as pessoas por mim feridas
Minha humildade e meu altruísmo.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de abril de 1996
Abraço!


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Obscuro

Obscuro


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Quem há de compreender o poeta?
Quem há de penetrar em sua solidão?
Quem há de curar suas chagas abertas,
Quando é indecifrável o seu coração?

Ser poeta é desdenhar da própria dor,
Chorar sozinho cada sonho perdido,
É amar sem jamais definir o amor,
Ousar quando tudo parece sem sentido.

Quem há de perdoar seus tolos pecados,
Quando é mais fácil chamá-lo de louco?
Quem há de condenar o seu passado
Se, do santo ao profano, foi de tudo um pouco?

Ser poeta é andar por onde ninguém andou,
É amar suas musas como nenhum homem amou,
É desejar o bem em seu mundo imperfeito.

Ser poeta, às vezes, é resumir-se silente,
Em meio a uma festa, fazer-se ausente,
Sonhando o amor em seu domínio perfeito.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 22 de janeiro de 2001
Abraço!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Unforgettable

Unforgettable


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Ela chegou num dia de chuva
Como se fora um vento brando,
A incógnita, a surpresa, a curva,
Com veneno adocicado, nefando;

Trouxe nos olhos um mistério,
Um quê de inocência e pecado,
Sem nenhuma palavra me disse: - "te quero",
Música para meus sonhos cansados.

Tocou meu corpo qual tivera magia,
Seu beijo macio como pétala de rosa,
Cálido como enlouquecida febre, ardia
Numa enxurrada de volúpia deliciosa.

Ela chegou como o mais sutil demônio,
Se apossando de minha alma,
Enlouquecendo meus sonhos,
Arrancando do poeta a calma.

Ela chegou como se fora uma lágrima,
Ora de felicidade, ora de dor,
Tempestuou cada poro de minha libido
E, angelical, fez germinar o amor.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 27 de março de 2001
Abraço!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Naufrágio

Naufrágio


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Navego, veleiro poético, em meu destino,
Pelas ondas misteriosas do teu mar.
Todo veleiro é barco de papel, menino,
Que ao teus encantos se deixa levar.

És, de todas, a tempestade mais bravia,
E, no entanto, o mais risonho sol,
Porque tens em ti a mais pura poesia,
O rubro silêncio lapidado dum arrebol.

Eis que meu corpo parece bailar
Ante tão ardente, deliciosa, brisa
Que o teu perfume espalha no ar.

Pareces um desdenhoso signo que avisa:
- " Não brinques com fogo. podes te queimar."
E me queimo e me afogo em tua tez alva e lisa.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 30 de agosto de 1999
Abraço!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Manhã do amanhã

Manhã do amanhã


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Haverá um dia em que as armas
Serão inúteis,
E a penumbra não trará consigo o medo.

Haverá, em algum momento no tempo,
A conquista absoluta da verdade,
Desnudando a cada passo o riso completo.

Haverá, na noite mais escura,
Um céu repleto de estrelas,
E, no alvorecer mais calmo,
Um suave orvalho brincará
Onde corria uma lágrima triste.

Haverá um dia em que todos serão irmãos,
E os olhos verão, então,
A cor da alma.

Haverá um dia em que seremos colossais
Como as coisas mais frágeis,
Poderosos como os sonhos mais doces
E complexos como a pétala mais simples.

Haverá um dia em que pisaremos o paraíso,
Conheceremos além de nossa perfeita imperfeição,
Amaremos como nem ousamos imaginar,
Seremos eternos como se fôssemos deuses,
Enfim, toda lágrima derramada
Será uma flor que exsurgirá...
Um dia.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 18 de maio de 1993
Abraço!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Susanne

Susanne


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


 Carinho de mãe ela não conheceu,
Pois, no seu parto ela morreu.
Nunca teve um pai de verdade,

Ele não lhe dava atenção.
Não que, de ser ferino, tivesse intenção,
Mas se embriagava de infelicidade.

Susanne não conhecia um lar,
Não tinha ninguém com quem conversar,
"Sozinha", aos quatro anos de idade.

Ganhou as ruas ainda pueril,
Mas não soube o que é ser infantil.
Aos cinco já conhecia toda a cidade.

Aos seis tinha um grupo de "amigos",
Na verdade, um bando de "perdidos".
Aos sete perdeu o pai num acidente,

Mas nem por isso chorou,
De fato, nem se importou -
Ele nunca se fizera presente.

Aos oito a um orfanato foi acolhida,
E por um tempo sentiu-se querida,
Mas dava saudade da rua, da liberdade.

Aos nove fugiu da sua "prisão"
E abraçou novamente a solidão -
Não encontrou a esperada felicidade.

Viveu de migalhas de pão,
Restos, lixo, dormiu no chão, 
Sofreu, mas insistiu em viver.

O tempo passou com agressividade
E ela entre a escória da sociedade,
Prostituindo-se para sobreviver.

Procurava um emprego decente,
Algo que a fizesse sentir-se mais gente,
E aos dezessete anos conheceu Fernando,

Rapaz pobre, mas trabalhador,
De boa moral, cheio de pudor,
E aos poucos foram se enamorando.

Conseguiu um emprego, começou a estudar,
Pois, escola era um luxo que não pudera se dar -
Agora sua vida tinha um sentido.

Fernando lhe pediu em casamento -
Não cabia em si de contentamento.
A gora o passado era um tempo perdido,

Uma sombra que ela iria apagar. 
Importava agora construir um lar,
E Susanne estava agora tão perto!

Aos dezenove casou-se, e, enfim,
A felicidade parecia não ter fim,
Tudo estava absolutamente certo!

Aos vinte e um teve seu primeiro filho,
E este teria o amor de mãe, seu trilho
Não teria tantos espinhos.

Ela agora tinha com o que se orgulhar:
Um marido, um filho, de fato, um lar,
Tinha alguém com quem compartilhar seu carinho.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 06 de julho de 1993
Abraço!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Indefinição

Indefinição


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves

Alma de poeta é tempestade,
É gênese ditando a ordem
Em meio ao caos, saudade,
Desatino, riso, desdém

Do seu ego, inocente piada,
Absorto em sentir,
Sem metria nem nada,
Puramente sentir.

Alma de poeta é fogo,
Fúria febril que consome,
Pecado, sacrílego rogo,
Desejo com índole de fome.

É farsa indisfarsável,
Riso maroto, rosto vermelho
Traindo a fama indomável
Qual o mais cruel dos espelhos.

Alma de poeta é porcelana
Esculpida pelas mãos da vida,
Pois, a vocação de quem ama
É ter, frágil, a alma dividida.

Alma de poeta é segredo
Que todo mundo sabe:
A rocha morre de medo
Que a montanha desabe.

Ora! É mentira que não convence,
O riso as vezes é pranto,
Seu coração deveras não lhe pertence
Como transpira seu canto.

Alma de poeta é taça de vinho
Derramada numa canção,
As vezes é calor e carinho,
Outras, voluptuosa perdição.

Alma de poeta é pássaro cativo
No encanto da mulher amada,
Que, para sentir-se vivo,
Precisa duma gaiola dourada.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 04 de outubro de 1999
Abraço!