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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Canção para alguém

Canção para alguém


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Que soprasse a brisa de outono
E levasse minhas palavras como
Se fossem plumas gentis e inúteis,
Fossem elas apenas rimas fúteis
Que não podem transmitir o que sinto.

Que eu esquecesse a poesia
E chorasse à simples melodia,
Insistente canção que me traz você
Nua e real, quase covardia,
Ah!, eu não quero nunca lhe esquecer!

Oh! Que seus olhos castanhos inspiram
A estética rima, me fascinam,
É algo que não consigo esconder.

Como se fosse um anjo arteiro,
Os seus sedutores lábios vermelhos
Aprisionam-me à sua mercê.

Eu amanheceria no sereno
Se abraçasse seu corpo moreno
Por uma vida, mais que um momento.

Que perca a rima e a razão
Ou que o meu sonho não tenha perdão,
Mas não perca a sua inspiração.

Ora, como pode um homem viver
Sem a sua musa, essa deusa-mulher,
Anjo-demônio, flor-espinho,
Que, por capricho (quem sabe carinho),
Faz dele um tolo, o que bem quiser?

Que soprasse o vento de outono
E me deixasse silente e bisonho.

Que viesse, frígido, o inverno,
Como se fosse gélido inferno,
E me descobrisse frágil, despido,

Mas que eu nunca ficasse sem você,
Pois, eu juro que ficar sem você
É perder, da vida, todo o sentido.

Daniel Carvalho Gonçalves
escrito em 20 de junho de 1994
Abraço!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Uma flor como nenhuma outra

Uma flor como nenhuma outra


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eis que uma semente de campestre flor,
Levada pelo vento, cai num roseiral,
E, ali, nasce, viçosa, sonho em cor,
Ingênua, longe do seu mundo real.

Mas, quando, numa manhã de primavera,
Sua prima flor desabrocha, contente,
Lacrimeja, por não julgar-se tão bela
Quanto as esnobes rosas à sua frente.

Em seu silêncio, maldiz o destino
Que a fizera tão feia, tão sem graça,
Ai!, sentia-se roubada de sentido,
De cor, invisível aos olhos da massa.

As esbeltas rosas sorriam, mordazes,
Do vermelho simples de suas pétalas.
Orgulhosas, não eram sequer capazes
De pensar que alguém olhasse para ela.

Mas um poeta cantou sua nobreza,
Rimou sua singela elegância,
Poetizou sua agreste beleza, 
Sua doce, envolvente, fragrância,

Seus infinitos encantos sublimou,
Fê-la sentir-se deusa, linda, querida,
Na verdade, por ela se enamorou,
Ah!, fê-la sorrir, redescobrir a vida.

E, hoje, quem passar por aquele jardim,
Com certeza não encontrará mais rosas,
Apenas flores símplices e vermelhas,
Semente daquela flor maravilhosa.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 28 de setembro de 1997
Abraço!


quinta-feira, 12 de junho de 2014

Do sonho à realidade

Do sonho à realidade


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


No silencioso pecado do meu pensamento
Eu te vejo nua, nossas roupas jogadas.
Neste devaneio, sou senhor do tempo,
Tenho todas as horas de uma vida
Para te amar neste breve momento.

Neste instante, tenho a malícia dum perdão,
Pois, este meu desejo nasce do mais puro amor,
Um misto de anjo-demônio pulsando no meu coração.
(Será esta poética o condão dum sonhador?)
Assim, me vejo santo na delícia desta prisão,
Absorvendo, reverente, cada gota do teu suor.

Aos poucos, tua roupa cobre teu corpo,
Eu desperto deste meu sonhar acordado
Com um sorriso bobo brincando em meu rosto.
A felicidade de acordar ao teu lado
traz, em meu corpo, o doce gosto
Do amor que alguém, um dia, chamou de pecado.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 21 de fevereiro de 1998
Abraço

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Perda

Perda


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


O poema era um pouco de tudo,
Sombra e luz,
Lança e escudo.

Trazia nos versos um algoz capuz,
Um desesperado grito mudo -
Amante ingenuidade que seduz.

Era o cio intenso duma dor
Numa amálgama de riso infante.
Assim é o dom do amor:

Um fogo, uma febre cortante,
O segredo de sabor  e dessabor,
De estar perto e distante.

O poema era um pouco de mim
E um pouco da mulher amada,
O sonho de quem não sabe, enfim,

De tudo um tanto de nada.
E, de tanto amar assim,
Se perdeu na alvorada.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 09 de dezembro de 2000
Abraço!

sábado, 7 de junho de 2014

Rascunho de poeta

Rascunho de poeta


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


És, de todas as mulheres, a mais divina.
Teu mistério paira no olhar, fascina.
Tua poesia é luz, transcende
A tua volúpia de ser feminina,
Pois, és também uma doce menina
Que ao altar de minha alma ascende.

Em cada verso, até no silêncio dum sonho,
Onde sou menino, tolo, risonho,
Em meu próprio corpo, te canta este poema.
E se as vezes choro, tristonho,
É porque o meu coração bisonho
Se julga pequeno ante tão bela fêmea.

Meu amor há de ser dono do tempo,
Há de despertar eternidade num momento,
Queimando enquanto me pulsar a vida,
Além de mim, nos versos destilando veneno,
O doce veneno de quem é ainda pequeno
Para aspirar, ousado, chamar-te querida.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 14 de dezembro de 1998
Abraço!