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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Humanidade

Humanidade


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eu sou o estentóreo de um trovão,
A silenciosa magia duma pétala de rosa,
A reflexão dos instantes de solidão,
O dom de perceber a vida tão maravilhosa.

Eu sou a enigmática sombra da noite,
A alegria abençoada do amanhecer,
Sou o perdão ou o meu algoz açoite,
O limite entre a morte e o sonho de viver.

Eu sou abusca, encontro e desencontro,
Sou o riso, a lágrima e o desencanto,
Sou a luta, a vontade, sede e fome.

Eu sou a chegada e o gesto de adeus,
O descaso e a crença cega em Deus,
Sou deus, sou nada, sou apenas homem.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 30 de janeiro de 2000
Abraço!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Gênese

Gênese


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Explode o amor como o vociferar
Trovejante, selvagem, de uma tormenta,
Fazendo frágil o mais forte dos homens,
Ensinando o sonho àqueles
Que têm medo de sonhar,
Mantendo viva a chama que cria o herói.

Nasce o amor como o desabrochar
delicado de uma flor primaveril,
Ou como a branda aura da aurora,
Fazendo incontido um suspiro,
Domando a fera, 
Dispersando dos olhos o brilho de um eterno sorriso.

Explode o amor em rimas reticentes,
Talvez inconsequentes,
Trazendo, ao contágio,
Verdades grandes demais
Para serem disfarçadas,
Coisas que nenhum poema
Pode definir - 
Assim eu te amo.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 15 de setembro de 1994
Abraço!

domingo, 26 de maio de 2013

Poemas

Poemas


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Meus poemas nasceram nas noites mais tristes,
Quando eu me abraçava em minha soledade
Ou lutava contra mim com a crença de quem não desiste
De encontrar a legenda da felicidade.

Destilaram veneno nas vezes em que perdi
Os amores que, hoje eu sei, nunca tive;
Beberam cada palavra das dores que senti;
Invejaram os lugares em que jamais estive.

Meus poemas nasceram dum silêncio sagrado,
Quando os lábios não definem o sentimento,
Quando os sonhos tem a inocência dum pecado
E o corpo arde na doçura febril deste momento.

Ah! , germinaram de minha robusta fragilidade,
Riram dos meus erros, me ergueram do chão,
Me fizeram rei e mendigo à sua vontade,
Refletiram minha alma e meu coração.

Meus poemas veneram minha alma gêmea,
Pois, são, de fato, o meu sentimento
Embriagado com o seu olor de açucena,
Domando e possuindo cada pensamento.

Esses poemas me verão envelhecer
Amando, enlouquecido, essa mulher.
E, mesmo quando um dia eu morrer,
Eles cantarão esse amor tão forte quanto fé.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 14 de março de 1999
Abraço!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Vexata quaestio

Vexata quaestio*


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Vaga nuvem a mudar de forma pelo céu -
Comparei-te assim, encantado e temeroso,
Em tua rara mistura de inocência e malícia,
Pois, bem sei, podes mudar também a mim ao teu gosto.

Te vi dançar qual anjo, tua aura tão pura,
Trejeitos virginais, no simples prazer da canção.
Dançavas tão só, perdida em teus sonhos de flor, 
Num cantinho só teu dentro do meu coração.

Num átimo, teu olhar fazia-se voluptuoso,
Teus lábios tremiam num prólogo de gozo,
Tua alva tez revelava-se ao despir teu corpo,
E, ora! , sabias que eras observada
e desejada.

Ah! Me encanta a menina,
Me surpreende a mulher.
Amo esta síntese misteriosa,
Mas tenho medo desta deusa
Que bem não sabe o que é.


* Expressão latina que significa " questão controvertida".


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 08 de maio de 1995
Abraço!

Figura de pai

Figura de pai


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Lembro bem de um dia
Com saudoso cheiro de infância,
A paz do seu colo, alegria
De quem buscava segurança.
Pendurado em seu pescoço, eu ia,
Liliputiano feliz, criança.

Invencível lhe vi em meu sonho infante,
Quase um deus a me abençoar.
Ah!, meus olhos deliravam, brilhantes,
O paraíso era ali, e lhe amar,
Mais um detalhe naquele instante.

Ora, Pai, sem você, o que seria de mim?
De onde aprender a força, a energia?
De onde o equilíbrio, o carinho, enfim,
O caminho que me trouxe a essa poesia?

Cada passo que dei e que dou,
Pai, é mirado em seu espelho.
Cada ato do homem que sou,
Isso não é nenhum segredo,
É colheita do que plantou.

Por isso, essa tresloucada canção,
Porque não existe outra forma
De mostrar toda a minha gratidão,
Senão lhe amar também
De toda a alma e coração.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 03 de agosto de 2010
Abraço!

domingo, 12 de maio de 2013

À sombra de um vulcão

À sombra de um vulcão


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


És Vesúvio no ápice do cio,
Espalhas tua chama de pura volúpia,
Teu magma santo, farto como rio,
Entontece com a mais exótica poesia.

Teu fogo desdenha em audível desafio,
Extentóreo dom de conhecer meus segredos.
E, de prazer, eu grito, eu silencio,
Reverencio teu poder em meu sonho primevo.

Teu brilho rompe o véu da madrugada
Como se fora um sol gaio e temporão,
Na doçura de se saber diva e adorada - 
Tens, de domar ao poeta, o estranho condão.

No quarto a quietude vence a tempestade,
E teu abraço tem gosto de magia,
De vinho doce, de gentil verdade,
De amor possesso de deliciosa melodia.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 09 de maio de 2000
Abraço!

sábado, 11 de maio de 2013

Poeta

Poeta


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


E Deus me fez assim, poeta,
Amálgama, abstrata definição,
Ironia de dor e de festa,
Doce realidade, pura ilusão.

Esse ser fora do seu tempo,
Fora de moda ao declamar sentimento,
Ao ter a alma palpitante de alento,
Criança, perdido em seus pensamentos.

Tenho a leve malícia dos amantes,
Nessas pautas, o efêmero instante,
As sinuosas curvas de uma mulher,

O sabor especial de cada beijo,
Cada poro destilando desejo,
Sacrílego, santo, um homem qualquer.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 04 de abril de 2013
Abraço!

Deusa

Deusa


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Você é o sol nascendo,
Rasgando o manto da neblina,
Um beijo aquecendo,
Com a sua ternura de menina.

Você é chuva em campo seco,
Fazendo renascer a vida,
Correndo em antigos leitos
De rios nessas terras sentidas.

Você é correnteza de rio,
Perigosa fera no cio,
Flor de pêssego em sua doçura,

O contrário de si mesma,
Bem e mal, encanto de fêmea,
Capaz de me levar à loucura.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 24 de abril de 2012
Abraço!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Mãe

Mãe


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Mãe, quero ser sua eterna criança,
Aninhar-me em seu colo amoroso,
Ler em seus olhos sonhos e esperança,
Encantar-me com seu riso gostoso.

Ah!, quero ser o abraço que lhe aquece,
A bênção que lhe preenche a vida,
Aquela canção que nunca se esquece,
Lhe fazer a minha flor mais querida.

Mãe, você é o meu bem mais valioso,
O dom puro do amor mais precioso,
A divindade no altar do meu coração.

Nenhum verso poderá lhe explicar
O que, no peito, só parece pulsar:
Você é uma magia muito além da razão.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de abril de 2012
Abraço a todas as mães!

Meu caminho

Meu caminho


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Meu caminho é o amor sincero
Que escolhi para viver,
A verdade que leio todos os dias
Nos olhos da mulher que amo,
A alegria do seu sorriso cúmplice,
Algo tão doce quanto
Um toque angelical.

Meu caminho é seguir o meu sonho
De crescer, ser feliz
E envelhecer ao lado
Dessa flor que, de tão especial,
Fez de mim uma pessoa melhor.

Meu caminho é ser sua bênção,
Sua exclusividade,
Seu abrigo, seu ninho,
O abraço que diz:
"- Conte sempre comigo."

Meu caminho é olhar
Para essa mulher toda manhã
E sentir essa ternura imensa,
E agradecer a Deus
Por ter feito a escolha certa
Ou por ganhar o melhor presente.

Meu caminho é estar ao seu lado,
Vivendo cada sorriso,
Cada passo,
Cada lágrima,
Cada conquista,
Cada meio em meio
A tantos meios
De nossa história.

Meu caminho é esse amor imortal
Que renasce 
Em cada verso que escrevo,
Em cada beijo que nos damos.
Meu caminho não é nenhum outro
Senão o mesmo caminho
Da mulher amada.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 19 de janeiro de 2013
Abraço!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Ao encanto de uma flor

Ao encanto de uma flor


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Queria eu ser, de uma lágrima, a cumplicidade,
Apenas para te afagar nos momentos de saudade.
Queria eu personificar o carinho de um beijo,
Num toque breve, leve, te fazer sorrir neste ensejo,
Como se fosse prólogo de felícia, um instante
Entre o símplice pensamento e um louco desejo.

Pudesse eu ser, numa antiga canção, a nostalgia,
Dos momentos que fazem valer a vida, toda a magia,
Apenas para morar em teus sonhos um minuto qualquer,
E ter a certeza de que fui amado uma vez sequer.
Conseguisse te falar de amor além da poesia,
Singela poesia que venera teu charme de mulher.

Fosse o silêncio da noite para descobrir teus segredos,
E, de mil e uma noites, uma diáfana cortina,
No enlevo de tua silhueta nua, sem medo,
Deixar-me envolver em teu abraço de mulher-menina.

Fossem meus os céus para falar-te de eternidade,
Desta insistência que em meu peito se chama amor - 
Mas, eis que nada posso! Ah! , queria ser teu de verdade!


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 01 de maio de 1995
Abraço!

domingo, 5 de maio de 2013

Somente a quem amo

Somente a quem amo




És como a lua, mágica e encantadora,
Preenchendo minha noite de quimera,
Enlevando minha alma poeta
Como nenhuma outra mulher
Jamais será capaz.

És como um colibri, livre e gentil,
Voando, serena, num espaço
Só teu dentro do meu peito,
Brincando de eternidade
No meu sentimento.

És como o orvalhar no alvorecer,
Acariciando com teu sorriso
Minhas frágeis folhas de relva,
Na solitude da madrugada da vida.

És, deveras, um tudo,
Ao menos um resumo sincero de tudo.
És a vida, o afã com que me agarro a ela.
És a incansável poesia, a infinita beleza,
És tu quem me calas além desses versos pobres.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 11 de setembro de 1995
Abraço!

sábado, 4 de maio de 2013

Incógnita

Incógnita


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Que força é essa que me faz indefenso,
Que penetra minha alma num gesto intenso,
Faz arder o meu sangue qual fosse loucura,
E flagela meu medo qual noite escura?
Que incógnita é essa, com que intento?

Que sussurro é esse que me acontece
Quando quero gritar, e ao meu sonho despe
De coragem qual instinto de incerteza?

Por que estremece assim o meu coração?
Ai! , esse amor me mata, me toma a razão!
Ah! , loucura, acontecida incerteza!

Não sei o que fui antes de conhecer você,
Nem sei se existi, como brisa perdida
Resvalei em você e não pude lhe esquecer.
Fulana, divide comigo sua vida!


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 11 de setembro de 1995
Abraço!