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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Somente tu

Somente tu


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Qual mulher é como tu, quimera gentil,
Capaz de compreender os meus fracassos
E incitar-me à luta, qual divina
Criatura que sabe, doce e sutil,
O poder que exerce sobre meus passos
E se esconde num rosto de menina?

Qual mulher é como tu, deusa morena,
Que resplandece como rubro arrebol,
Cuja beleza transcende estas rimas,
Pois, tens na alma uma aura serena?
Qual mulher tem no corpo magia de sol, 
Cuja doçura nunca, jamais termina?

Qual mulher tem o teu encanto, bela flor,
Cujos lábios são pura fonte de mel,
Cujos olhos irradiam malícia?

Qual mulher pode despertar-me ao amor,
Fazer-me acordar num pedaço do céu
E enlouquecer-me de felícia?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 10 de maio de 1995
Abraço!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Pretenso poema de amor

Pretenso poema de amor


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Tivera a pretensão de poetizar o amor,
Mas todo poema de amor é finito, tolo,
Ante o colosso poético dum sentimento,
Pois, palavra nenhuma tem o poder de expô-lo.

Mas o desejo era fogo queimando, intenso,
Em minha alma encantada pela mulher amada,
E dele nasceram uns versos disformes, alento
Dum sonhador, bisonho ante seu jeito de fada.

Pudera apenas, limitado, dizer "te amo",
Sem lhe contar da felicidade e do encanto,
Da saudade que, sutil, me assalta por inteiro

Durante todo o tempo longe do seu contato,
Do sonho que se renova sempre que estou ao seu lado,
E que lhe faz a única dona dos meus segredos.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 16 de maio de 1997
Abraço!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Nas asas dum anjo

Nas asas dum anjo


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Vieste como brisa gentil no alvorecer,
Ainda semente do vendaval que hoje és,
Ainda instante, feto de eternidade,
Sutil e poderosa como possessão de fé.

Vieste como orvalho no calor da noite,
Regando meus sentimentos sem que eu notasse,
Domando-me qual tivesses mágico açoite,
Fazendo, mulher, com que eu te adorasse.

Vieste com a inocência poética
De uma rosa, mistura perfeita, gostosa,
Do mais seleto vinho com o mais puro néctar.
Tu, deusa-flor, sabes tão bem ser maliciosa!

És um anjo santificando os meus pecados,
Um demônio corrompendo os meus desejos,
Uma virtude que preciso ao meu lado,
Um vício raro, estranho, chamado amor,
Encanto nascido sem ensaio, sem ensejo.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 20 de setembro de 1997
Abraço!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Anjo maldito

Anjo maldito

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves



Tu entraste em minha vida qual fosses fogo intenso,
Qual febre louca, provocando delírio imenso,
Sem perguntar ao poeta se ele queria te amar.

Eis que o poeta te fez musa de todos os seus poemas,
E o homem te desejou como a mais gostosa fêmea -
Ambos sofrem ao beberem do doce fel deste encantar.

Tu sabes do mal que me fazes e do bem que me provocas,
Conheces meu lado frágil, inconsequente me dominas.
Percebes, porventura, que eu não consigo viver sem ti?

Tu és semelhante a uma furiosa tempestade,
Arrastando tudo ao seu toque, qual fosses majestade.
És diva verdade ou uma simples ilusão que vivi?

Enfim, és o resumo símplice de pura malícia,
Mas te quero porque sei que podes provocar felícia.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 23 de agosto de 1995
Abraço!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

(Des)caminhos

(Des)caminhos


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves



Refaça a sua história,
Os caminhos que trouxeram
Você até onde está.

Quantas amizades abandonadas,
Não que não fossem importantes
Ou por falta de carinho,
Mas simplesmente
Porque seguiram rumos diferentes.

Quantas lágrimas que você derramou,
E hoje é capaz de rir
Das razões que lhe fizeram chorar?

Quantos amores desejados
E jurados eternos,
Não foram nada mais
Do que uma efêmera tempestade?

Quantos beijos
Lhe fizeram queimar de desejo
E hoje são apenas
Uma lembrança qualquer?

Quantos segredos você escondia,
E que, se fossem revelados hoje,
Não seriam mais do que
Uma piada sem graça?

Quantos mistérios
Com os quais você se encantava,
Hoje são bobagens
Que você sequer divide?

Quantos defeitos você corrigiu
E hoje descobriu 
Que nem eram defeitos?

Quantas qualidades
Lhe davam orgulho?
Quantas você conseguiu preservar?

Quanto do que você era
Ainda existe?
Quantos dos sonhos
Pelos quais lutou 
Você conseguiu realizar?

O encanto é que a vida
É uma corrente 
De ininterrupta mudança.
Não dá sequer
Para entender de verdade
Se você é pior ou melhor
Do que achou que seria.

O que vale
É viver o presente
Como a maior das dádivas
E semear o bem pelo caminho.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de outubro de 2014
Abraço!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Índole de deusa

Índole de deusa


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Você é uma doce interrogação
Numa parte qualquer da frase,
É lua cheia despertando emoção,
Constante, em todas as suas fases.

Você é como a noite escura,
Encantadora e misteriosa,
Tem o dom de ser um mal ou cura,
Me prendendo em sua magia gostosa.

Assim, me embebedo com seus beijos,
Me aprisiono em seu abraço,
Me queimo neste louco desejo,
Sou seu em tudo o que faço.

Então, lhe vejo divina,
O pecado com cheiro de sexo.
De repente, se faz de menina,
Procurando abrigo em meu amplexo.
Me vejo homem e menino,
Embevecido com esse encanto sem nexo,
Carente do seu corpo e da sua alma feminina.


Daniel Carvalho Gonçalves
escrito em 19 de outubro de 2014
Abraço!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Sol do amanhecer

Sol do amanhecer


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Não importa se morreremos um dia,
Se a morte é triste e inevitável,
O que importa são os sonhos
Que plantamos em vida,
É a imortalidade de gestos nobres
Que se marcam rastros na areia do viver.

Não importa o que existe além do horizonte,
O que importa é o que sorrimos agora,
O que sentimos aqui,
São os doces segredos
Ocultos em nós mesmos,
É desnudar a verdade que temos por dentro

Pouco importa o que intencionam as canções,
Importa o que elas despertam em nós,
O quanto elas nos fazem rir ou chorar.

Não importa tanto o futuro,
Que pode até não existir para nós,
Importa o que lutamos por ele hoje, 
Importa o que esperamos dele, 
Importam os passos que nos levam ilesos
Ao melhor amanhecer.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 17 de maio de 1992
Abraço!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Completitude

Completitude


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Que ternura é essa
Que brinca em seu sorriso
Como a brisa leve
Num final de tarde?

Que brilho é esse
Que rasga essa canção
Como se tivesse vida própria,
Como raio intenso
Iluminando a noite?

Que deusa existe em você
Que me faz tão dependente,
Qual fosse um beija-flor
Encantado com a doçura
Do seu néctar?

Que malícia é essa
Que escapa pelos seus olhos
Como um sol de primavera,
Ardente, envolvente,
Provocando sede de desejo?

Que loucura é essa,
Tão desmedida,
Que atira meu corpo
De encontro ao seu,
Queimando, incontrolável,
Como incêndio na mata?

Que poesia é essa
Que suaviza o desejo,
Domando a paixão,
Metamorfoseando,
com índole de anjo,
Deslizando pelo coração
Como um regato calmo
E eterno
Chamado amor?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 05 de outubro de 2014
Abraço!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Como se fosse a primeira vez

Como se fosse a primeira vez


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Quero ver-te todos os dias
Como se fosse a primeira vez.
Não quero uma alma vazia,
Como a indiferença de um talvez.

Não quero ser cegado pela rotina
Que faz da vida um instante banal.
Quero ver, a cada minuto, ó mulher-menina,
A preciosidade do teu riso informal.

Quero desencontrar da rima no afã
De versejar teu abraço em cada manhã,
Desejar teu beijo com maior avidez,

Descobrir a todo momento um teu segredo,
Despertar em mim um misto de coragem e medo,
Te amar como se fosse a primeira vez.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 08 de janeiro de 1998
Abraço!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Solidão

Solidão


  Foto: Daniel carvalho Gonçalves


O poeta é um solitário.
Não que não ame ou seja amado,
Mas o faz de um jeito raro,
Fora de moda, doidamente alado.

Eis que ele tem um mundo só seu,
Onde transforma sentimentos em palavras,
Onde ele é apenas um deus
Ou um mendigo em suas fantasias fartas.

O poeta é homem assumindo que ama,
É menino fingindo não ter medo,
É frágil poder que a ninguém engana,
Desconhecedor de seus próprios segredos.

O poeta vê o que mais ninguém vê,
Sente como ninguém - pressente.
Entende o que ninguém quer entender,
Ama além de si mesmo, intensamente.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 30 de setembro de 1997
Abraço!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Desencontro com as palavras

Desencontro com as palavras

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Teu corpo à semi-luz parece uma escultura de prata,
Tem a mágica poesia de uma noite enluarada.
Tens o raro poder de ser menina e mulher, tão luminosa!

Quando dormes, és sublime como um anjo encantado,
Conheces os segredos do céu, mas podes me levar ao pecado.
Bem sei, tu podes fazer do amor uma fruta deliciosa!

Ah! Quisera que meus poemas não fossem tão reticentes
Ou que meus versos não tivessem essa índole inocente
Para rimar a alvura da tua pele com o meu desejo.

Pudesse essa canção conter o teu perfume de açucena,
Olvidaria o poeta ao gosto de tua boca pequena.
Impossível!Não sei esquecer teu abraço, tampouco teu beijo!


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 28 de setembro de 1997
Abraço!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Desafino

Desafino


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Quem és tu, que me olhas
Do outro lado do espelho,
E, hirto, debochas
Dos meus olhos vermelhos?


Quem és tu, que desdenhas
Do meu frágil mistério,
E, tão cruel, desenhas
Tua vilania num "eu quero"?

Quem és tu, que não tens medo,
E desafia o próprio destino,
Como se controlasse seu enredo,
Ou inventasse o seu caminho?

Quem és tu, indomável fera,
Que caça à sorte, à esmo?
Quem és tu, ó pseudo-quimera,
Senão eu mesmo?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de agosto de 2000
Abraço!

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Destino

Destino


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Parto.
Não sei para onde vou,
Sou andarilho.

Parto.
Não sei porque.
Talvez em busca de respostas
Para minha eterna incógnita.

Parto. 
Não sei como
Ou se vou chegar,
Com incerteza de regresso.

Parto.
Vou em busca de não sei o que,
Quem sabe novos sonhos.

Parto.
Sigo a vida, indígete,
Com a certeza de que sempre
Existirá o amanhecer.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 08 de agosto de 2000
Abraço!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Ternura

Ternura


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Que o meu amor seja
O amanhecer em sua vida,
Trazendo esperanças,
Recomeços
E muita luz.

Que o meu abraço
Seja um ninho,
Aconchegante,
Protetor, 
Abrigo.

Que o meu amor seja
A sombra em dia quente,
A paz para o seu sorriso,
O descanso no fim de tarde.

Que o meu amor seja puro,
Uma jura eterna,
Cumplicidade verdadeira,
Doce e simples
Como o desejo que o despertou.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 16 de agosto de 2014
Abraço!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Diverso

Diverso


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Pulsa em minhas veias
O menino descalço,
Correndo atrás de pipa,
De sonho inocente,
Brincando de pique-esconde,
Rouba-bandeira,
Carrinho-de-rolimã.

Pulsa em meu sangue
O homem sertanejo,
O cavaleiro chacoalhando
Em sua sela,
O boiadeiro campeando gado,
O agricultor pedindo chuva,
O homem simples
Com seus credos e lutas.

Pulsa dentro de mim
O poeta,
O homem das letras,
O sonhador,
O romântico cantando o amor.

Pulsa em minhas veias 
O homem sem-vergonha,
De mente suja,
De desejos descarados, 
De sorriso fácil.

Pulsa em mim
O bêbado
E o abstêmio.

Pulsa em meu sangue
O homem urbano,
Enlouquecido pelo
Vai-e-vem da vida,
Dependente das luzes artificiais,
Da tecnologia, 
Dos sons sem calma
Do cotidiano.

Pulsa em meu ser
A imagem e semelhança divinas,
O dom do amor verdadeiro,
A compreensão do ilimitado.

Pulsa em mim um pouco de tudo
Porque, no fundo,
Sou um pouco de todos.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 11 de agosto de 2014
Abraço!


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Feitiço

Feitiço


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Meu sentimento é uma mar bravio,
É uma tempestade, quase um cio,

Mas, estranho, tem índole de anjo,
Ingênuo, melodia de divino arranjo.

Se não existisse entre nós tanto alento,
E nosso amor não tivesse tanto encantamento,

Se eu não estivesse preso em teu feitiço,
Se não me oferecesses essa sensação de risco,

Seria como perder o sentido da vida,
Desconhecer a poesia, ter a alma ferida. 

Se não fosse o escarlate de teus lábios,
Se não fossem os arcanos do teu olhar,
Ou a ginga do teu corpo bailando fácil,
Eu seria apenas uma poeta, pássaro a voar.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 29 de julho de 2000
Abraço!

terça-feira, 29 de julho de 2014

Crônica aos cegos

Crônica aos cegos


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Ouviste, ó sábio, o que dizem
as flores silentes?
Ouviste as palavras tão símplices
que delas transpiram, 
e que a maioria dos homens
insistem em não ouvir?
Viste a sensibilidade germinar em suas pétalas
e vicejar na alma de alguns loucos,
transformando o mais frio dos metais
num fogo ardente chamado poeta?
Sentiste, ó sábio, o seu perfume
espalhando magia e recordação
na diva alma feminina?
Percebeste, ó estúpido, o sacrifício
de quem empresta cor, perfume,
carinho, muito amor e paixão,
sem pedir nada de volta?
Se algo sabes, ergas a tua voz
e responde esta última pergunta:
por que a maioria das flores morrem
num lindo dia, no final da primavera?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 28 de julho de 2000
Abraço!

terça-feira, 22 de julho de 2014

Ego herói

Ego herói


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Há dias em que o céu
Parece cair sobre nós,
E o dia mais claro
Parece esvair-se na penumbra.

Tristes lágrimas ocupam
O espaço de um sorriso,
E o desespero parece impávido.

No penoso caminho da vida
Vimos pedras e espinho.
De repente, já não somos tão fortes,
E não há sequer uma sombra para descansar.

Transpirando desânimo,
Sentamo-nos na agreste orla do caminho.

Inspirando coragem de nosso íntimo reprimido,
Sorrimos por um instante
e exsurgimo-nos colossais.

Guiados pela sede de vida,
caminhamos velozes.

Já não importa o sol ou a penumbra,
Tampouco os espinhos e as pedras.

Num átimo, tudo isso já não existe,
Apenas a certeza de que podemos vencer.


Daniel Carvalho Gonçalves
escrito em 05 de maio de 1993
Abraço!




terça-feira, 15 de julho de 2014

Nas asas do tempo

Nas asas do tempo


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Decerto passará o próprio tempo
Como efêmero vento de tempestade,
Levando consigo sonhos incontáveis,
Mas trazendo, em seu abraço, tantos outros.

Ora! E os sonhos eternos,
Aqueles que insistem em viver
Mesmo dolentes e lacrimejantes,
Como se trouxessem em sua alma
A límpida flama da certeza?

Levará o tempo, na fúria das suas ondas,
Para bem longe a solidão,
Esse ferino vazio que parece explodir
Num silêncio lúgubre?

Ah!, que ele passe inexpugnável,
Que ele mude a história,
Gere ou aborte sonhos,
Mas que, em algum momento perdido em si mesmo,
Ele cubra de realidade meu eterno sonho:
Meu obcecado amor pela vida.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 01 de setembro de 1994
Abraço!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Nuvem passageira

Nuvem passageira


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Chamei-te Flor de pêssego
Numa enlouquecida tentativa
De te fazer um segredo.

Ocultei teu nome do meu poema,
Chamei-te apenas de Amor,
Sedento de teus encantos de fêmea.

Ocultei a cor do teu olhar,
Rimei o calor de tua pele,
Tuas melenas, leves, a voar.

Chamei-te de demônio em teu fogo,
Comparei-te à uma estrela cadente,
Poeta de teu possessivo jogo.

Comparei-te à uma nuvem incerta,
Linda e indefinida contra o céu
Romântico do meu mundo de poeta.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 05 de abril de 2001
Abraço!

terça-feira, 1 de julho de 2014

A um grande amor

A um grande amor


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Ainda que eu fosse o melhor dos poetas,
E descobrisse a rima mais perfeita;
Ainda que fosse minha a mais bonita canção,
E desvendasse os mistérios do coração;
Sem você eu seria menos do que um grão de areia,
Perdido e esquecido no deserto da desilusão.

Ainda que eu fosse, sonhador, um deus,
E pudesse satisfazer todos os desejos meus;
Ainda que eu vivesse num paraíso,
E tivesse as vagas de um mar indeciso;
Eu nada seria sem um carinho seu,
Mesmo que fosse apenas um singelo sorriso.

Ainda que encontrasse o caminho da felicidade,
Eu não seria feliz de verdade
Se ao meu lado não existisse você.
Ainda que à poesia de um luar eu pudesse ter,
Ainda assim, em minha pobre soledade,
Eu estaria condenado a jamais lhe esquecer.

Jamais saberei dizer o quanto amo você!


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 19 de maio de 1999
Abraço!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Canção para alguém

Canção para alguém


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Que soprasse a brisa de outono
E levasse minhas palavras como
Se fossem plumas gentis e inúteis,
Fossem elas apenas rimas fúteis
Que não podem transmitir o que sinto.

Que eu esquecesse a poesia
E chorasse à simples melodia,
Insistente canção que me traz você
Nua e real, quase covardia,
Ah!, eu não quero nunca lhe esquecer!

Oh! Que seus olhos castanhos inspiram
A estética rima, me fascinam,
É algo que não consigo esconder.

Como se fosse um anjo arteiro,
Os seus sedutores lábios vermelhos
Aprisionam-me à sua mercê.

Eu amanheceria no sereno
Se abraçasse seu corpo moreno
Por uma vida, mais que um momento.

Que perca a rima e a razão
Ou que o meu sonho não tenha perdão,
Mas não perca a sua inspiração.

Ora, como pode um homem viver
Sem a sua musa, essa deusa-mulher,
Anjo-demônio, flor-espinho,
Que, por capricho (quem sabe carinho),
Faz dele um tolo, o que bem quiser?

Que soprasse o vento de outono
E me deixasse silente e bisonho.

Que viesse, frígido, o inverno,
Como se fosse gélido inferno,
E me descobrisse frágil, despido,

Mas que eu nunca ficasse sem você,
Pois, eu juro que ficar sem você
É perder, da vida, todo o sentido.

Daniel Carvalho Gonçalves
escrito em 20 de junho de 1994
Abraço!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Uma flor como nenhuma outra

Uma flor como nenhuma outra


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eis que uma semente de campestre flor,
Levada pelo vento, cai num roseiral,
E, ali, nasce, viçosa, sonho em cor,
Ingênua, longe do seu mundo real.

Mas, quando, numa manhã de primavera,
Sua prima flor desabrocha, contente,
Lacrimeja, por não julgar-se tão bela
Quanto as esnobes rosas à sua frente.

Em seu silêncio, maldiz o destino
Que a fizera tão feia, tão sem graça,
Ai!, sentia-se roubada de sentido,
De cor, invisível aos olhos da massa.

As esbeltas rosas sorriam, mordazes,
Do vermelho simples de suas pétalas.
Orgulhosas, não eram sequer capazes
De pensar que alguém olhasse para ela.

Mas um poeta cantou sua nobreza,
Rimou sua singela elegância,
Poetizou sua agreste beleza, 
Sua doce, envolvente, fragrância,

Seus infinitos encantos sublimou,
Fê-la sentir-se deusa, linda, querida,
Na verdade, por ela se enamorou,
Ah!, fê-la sorrir, redescobrir a vida.

E, hoje, quem passar por aquele jardim,
Com certeza não encontrará mais rosas,
Apenas flores símplices e vermelhas,
Semente daquela flor maravilhosa.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 28 de setembro de 1997
Abraço!


quinta-feira, 12 de junho de 2014

Do sonho à realidade

Do sonho à realidade


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


No silencioso pecado do meu pensamento
Eu te vejo nua, nossas roupas jogadas.
Neste devaneio, sou senhor do tempo,
Tenho todas as horas de uma vida
Para te amar neste breve momento.

Neste instante, tenho a malícia dum perdão,
Pois, este meu desejo nasce do mais puro amor,
Um misto de anjo-demônio pulsando no meu coração.
(Será esta poética o condão dum sonhador?)
Assim, me vejo santo na delícia desta prisão,
Absorvendo, reverente, cada gota do teu suor.

Aos poucos, tua roupa cobre teu corpo,
Eu desperto deste meu sonhar acordado
Com um sorriso bobo brincando em meu rosto.
A felicidade de acordar ao teu lado
traz, em meu corpo, o doce gosto
Do amor que alguém, um dia, chamou de pecado.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 21 de fevereiro de 1998
Abraço

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Perda

Perda


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


O poema era um pouco de tudo,
Sombra e luz,
Lança e escudo.

Trazia nos versos um algoz capuz,
Um desesperado grito mudo -
Amante ingenuidade que seduz.

Era o cio intenso duma dor
Numa amálgama de riso infante.
Assim é o dom do amor:

Um fogo, uma febre cortante,
O segredo de sabor  e dessabor,
De estar perto e distante.

O poema era um pouco de mim
E um pouco da mulher amada,
O sonho de quem não sabe, enfim,

De tudo um tanto de nada.
E, de tanto amar assim,
Se perdeu na alvorada.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 09 de dezembro de 2000
Abraço!