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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Testamento de poeta II

Testamento de poeta II


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Deixo para meu convexo espelho
O reflexo do riso que não sorri,
A magia de saber meus segredos,
Verdades óbvias que não escondi.

Deixo para os meus antagonistas
A lágrima sentida que não chorei,
A fragilidade que não foi vista,
O ódio que, sem querer, despertei.

Para Fulana, Sicrana e Beltrana,
Fato que não escolhi nenhuma delas,
Deixo que o coração se engana
E ama a quem menos se espera.

Deixo para meu primeiro abraço
A imagem do filho que eu quis ser,
O riso que provoquei, meus fracassos,
E o amor que aprendi a viver
No calor materno desses seus braços;
Deixo verdade de não lhe esquecer.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 26 de abril de 1996
Abraço!