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quinta-feira, 30 de março de 2017

Humilde soneto à deusa poesia

Humilde soneto à deusa poesia


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Poesia, tu és uma deusa rara,
De virtudes talhadas em diamante,
Lucipotente estrela, tu és cara,
Caríssima luz da mais divina fonte.

Tu tens (herança dos deuses) a bondade.
Formosa flor em tua alma, germinante.
A tua canção tem um dom de verdade,
Chuva sagrada em meu sonho infante.

Te amar não foi acaso do destino,
Foi ventura, foi encontrar o caminho
De ardente flama de vida, de um sol

Que me fez poeta bisonho, ignoto,
Porém, tão feliz por não ter sido outro
A conhecer a o brilho do teu arrebol.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 28 de julho de 1997
Abraço!

terça-feira, 28 de março de 2017

Quando se descobre o amor

Quando se descobre o amor


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Quando a gente se descobre amando,
Não importa a rima nem o tom.

A gente se surpreende
Dizendo coisas sem sentido,
Conversando com o vento, 
Falando às flores.

De repente, somos infantis,
Brincamos de sonhar,
Perdemos a noção do tempo,
Acreditamos, inocentes, no melhor.

Cada pensamento compõe uma canção,
Nossos olhos se perdem no nada - 
Coisas da imaginação.

Nada mais importa,
Os outros são apenas os outros,
A alma só quer carinho,
Sentir na pele o calor do ser amado,
Exalando, ao contágio, pecado.

Ah! Todos nós somos poetas,
Somos tolos,
Loucos e inconsequentes,
Somos todos frágeis,
Quando nos descobrimos amando.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 10 de julho de 1993
Abraço!

terça-feira, 21 de março de 2017

Sob o espelho do amor

Sob o espelho do amor


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


O amor é como o vento - 
Irreverente e selvagem,
Dócil e suave,
Não aprisiona, apenas se mantém cativo.

O amor é como a noite - 
Mágico em sua essência,
Misterioso por natureza,
Envolvente e quieto.

O amor é como o fogo - 
Quente e constante, 
Frágil e dependente,
É como uma chama que aquece
Sem muito exigir.

O amor é como o tempo - 
Eterno e recatado,
Sem história em si, 
Historiado nas emoções
De cada coração.

O amor se parece com uma canção,
Às vezes, triste e doloroso,
Simples e extasiante,
E naturalmente marcante.

O amor é como o universo - 
Repleto de estrelas
Que lucilam por entre sua própria sombra,
É a certeza que persiste
Além da compreensão de si mesmo.

O amor é como o mar - 
Irrequieto e desconhecido,
Calmo e aconchegante,
Dono de uma mensagem
Em que as palavras pouco significam.

O amor é como a fé - 
Antecede a gênese,
Espera a realidade ainda sonho,
Aperfeiçoa-se em cada gesto,
Luta por seus ideais,
Vence ou morre tentando.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 04 de maio de 1993
Abraço!

domingo, 19 de março de 2017

Além das palavras

Além das palavras


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Você é a razão dos meus versos,
É quem faz doer a minha solidão,
É chuva caindo, serena,
Molhando a terra sedenta.

Você é um sentimento tão grande,
Um universo inteiro dentro do peito,
Capaz de fazer pequena qualquer palavra,
Uma deusa, dona do meu destino.

Você é festa em meu coração,
Um escândalo brilhando em meus olhos,
Escapando do meu controle
Em forma de incontido suspiro.

Você é libido tatuada em meu corpo,
Febre queimando em cada poro,
Perfume sutil arrepiando a pele,
Demônio provocando desejo.

O meu amor por você é ligação de alma,
É signo sagrado de eternidade.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 19 de março de 2017
Abraço!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Obsessão

Obsessão


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eis que morro. E me perguntas por quê.
Será tão abstrato o meu amor por ti?
Será que, no extremo desvelo que
Me arrouba a alma, me esqueci,
Tão poético, de te fazer saber?

Ora! Eis que morro por um beijo teu,
Extenuo meu corpo na ânsia
De me aninhar, frágil, nos teus seios.
Ah! Não percebes? Me fazes criança,
Menino, poeta de simples desejos.

Antes que eu morra, te peço, carente,
Um lugar em teu coração, e, silente,
Te deixo, numa lágrima dolente,
A certeza do meu amor simplesmente.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 03 de setembro de 1995
Abraço!

terça-feira, 14 de março de 2017

Descoberta

Descoberta


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Te conhecer foi perder a posse de minha alma,
Descobrir um novo caminho por onde andar.
Foi penetrar num sonho, descobrir a rima
Até então inerte em meu pobre divagar.

Te conhecer foi renascer, ora!, e ascender
Aos céus, redescobrir, dependente, o sentido;
Foi responder o onde, o como e o por que;
Foi, carente, menino, encontrar um abrigo.

Te conhecer foi esquecer meu tolo segredo
E perder, em nome desse amor, o meu medo
De me entregar, foi achar a felicidade

Que eu, crítico, um dia, julguei impossível;
Foi ver a beleza até então invisível,
E assumir que és toda a minha verdade.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 24 de junho de 1997
Abraço!

domingo, 5 de março de 2017

O condenado

O condenado


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Caminhava o condenado, cheio de alento,
Ora, inocente, absorto em seus pensamentos.

Ia garboso, qual se nada pudesse lhe ferir,
Como se os espinhos fossem flores a lhe sorrir.

Estava feliz com tudo o que a vida lhe dera:
Amigos, filho, sua esposa, suas quimeras.

Ia, poeta, compondo seus versos ao acaso
Das rimas que nasciam da magia do ocaso.

Vagava, orgulhoso de suas mãos calejadas
Pelo brutal trabalho. Sofrera nessa estrada.

Pensava no riso de sua amada, carinho
Intenso, sua fortaleza, seu sonho, seu ninho.

Ah! Ia cantando em sua hora derradeira,
Tão contente, ignorando sua sorte faceira.

Ria sozinho, na expectativa de seus sonhos,
A alma pura, refletida em seus olhos bisonhos.

Pensava no abraço do filho, pingo de gente,
Em seu rostinho alegre, seu maior presente.

Caminhava o condenado sem saber seu fado,
Sem saber que a morte caminhava ao seu lado.

Eis que um tiro certeiro, vindo de não sei onde,
Lhe abre uma chaga no peito e lhe esconde

O direito de realizar seus sonhos mais simples,
Fazendo daquele sorriso um gesto fúnebre.

E, de todo aquele fulgor de felicidade,
Da sua nobreza, hoje só resta saudade,

E a certeza de que somos apenas meninos,
Indefesos contra os desígnios do destino.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 21 de maio de 1997
Abraço!


sábado, 4 de março de 2017

Inexplicável devoção

Inexplicável devoção


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Divago, desvairado, por entre pautas,
Na tola pretensão de te poetizar.
Mísero! Como poetizar tal deusa,
Flor campestre, orvalho do meu alvorar,
Fera agreste, capaz de me encantar?

Surpreende-me essa inexplicação,
Este não saber o que te dizer.
Ah! Me fascina teu jeito de menina,
Inocente, anjo que não sei esquecer.

Porém, às vezes, és tão maliciosa,
Sutil, mulher decidida, linda dona
De minhas secretas e loucas vontades.

Não sei ao certo se falo dos seus olhos
Ou se rimo as curvas do teu corpo - 
Sei que sou capaz de tudo por ti.

Bem, o que sei é que te amo tanto,
E queria que, de algum jeito, não importa,
Tu soubesses disso.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 24 de novembro de 1994
Abraço!