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terça-feira, 28 de outubro de 2014

(Des)caminhos

(Des)caminhos


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves



Refaça a sua história,
Os caminhos que trouxeram
Você até onde está.

Quantas amizades abandonadas,
Não que não fossem importantes
Ou por falta de carinho,
Mas simplesmente
Porque seguiram rumos diferentes.

Quantas lágrimas que você derramou,
E hoje é capaz de rir
Das razões que lhe fizeram chorar?

Quantos amores desejados
E jurados eternos,
Não foram nada mais
Do que uma efêmera tempestade?

Quantos beijos
Lhe fizeram queimar de desejo
E hoje são apenas
Uma lembrança qualquer?

Quantos segredos você escondia,
E que, se fossem revelados hoje,
Não seriam mais do que
Uma piada sem graça?

Quantos mistérios
Com os quais você se encantava,
Hoje são bobagens
Que você sequer divide?

Quantos defeitos você corrigiu
E hoje descobriu 
Que nem eram defeitos?

Quantas qualidades
Lhe davam orgulho?
Quantas você conseguiu preservar?

Quanto do que você era
Ainda existe?
Quantos dos sonhos
Pelos quais lutou 
Você conseguiu realizar?

O encanto é que a vida
É uma corrente 
De ininterrupta mudança.
Não dá sequer
Para entender de verdade
Se você é pior ou melhor
Do que achou que seria.

O que vale
É viver o presente
Como a maior das dádivas
E semear o bem pelo caminho.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de outubro de 2014
Abraço!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Índole de deusa

Índole de deusa


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Você é uma doce interrogação
Numa parte qualquer da frase,
É lua cheia despertando emoção,
Constante, em todas as suas fases.

Você é como a noite escura,
Encantadora e misteriosa,
Tem o dom de ser um mal ou cura,
Me prendendo em sua magia gostosa.

Assim, me embebedo com seus beijos,
Me aprisiono em seu abraço,
Me queimo neste louco desejo,
Sou seu em tudo o que faço.

Então, lhe vejo divina,
O pecado com cheiro de sexo.
De repente, se faz de menina,
Procurando abrigo em meu amplexo.
Me vejo homem e menino,
Embevecido com esse encanto sem nexo,
Carente do seu corpo e da sua alma feminina.


Daniel Carvalho Gonçalves
escrito em 19 de outubro de 2014
Abraço!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Sol do amanhecer

Sol do amanhecer


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Não importa se morreremos um dia,
Se a morte é triste e inevitável,
O que importa são os sonhos
Que plantamos em vida,
É a imortalidade de gestos nobres
Que se marcam rastros na areia do viver.

Não importa o que existe além do horizonte,
O que importa é o que sorrimos agora,
O que sentimos aqui,
São os doces segredos
Ocultos em nós mesmos,
É desnudar a verdade que temos por dentro

Pouco importa o que intencionam as canções,
Importa o que elas despertam em nós,
O quanto elas nos fazem rir ou chorar.

Não importa tanto o futuro,
Que pode até não existir para nós,
Importa o que lutamos por ele hoje, 
Importa o que esperamos dele, 
Importam os passos que nos levam ilesos
Ao melhor amanhecer.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 17 de maio de 1992
Abraço!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Completitude

Completitude


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Que ternura é essa
Que brinca em seu sorriso
Como a brisa leve
Num final de tarde?

Que brilho é esse
Que rasga essa canção
Como se tivesse vida própria,
Como raio intenso
Iluminando a noite?

Que deusa existe em você
Que me faz tão dependente,
Qual fosse um beija-flor
Encantado com a doçura
Do seu néctar?

Que malícia é essa
Que escapa pelos seus olhos
Como um sol de primavera,
Ardente, envolvente,
Provocando sede de desejo?

Que loucura é essa,
Tão desmedida,
Que atira meu corpo
De encontro ao seu,
Queimando, incontrolável,
Como incêndio na mata?

Que poesia é essa
Que suaviza o desejo,
Domando a paixão,
Metamorfoseando,
com índole de anjo,
Deslizando pelo coração
Como um regato calmo
E eterno
Chamado amor?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 05 de outubro de 2014
Abraço!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Como se fosse a primeira vez

Como se fosse a primeira vez


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Quero ver-te todos os dias
Como se fosse a primeira vez.
Não quero uma alma vazia,
Como a indiferença de um talvez.

Não quero ser cegado pela rotina
Que faz da vida um instante banal.
Quero ver, a cada minuto, ó mulher-menina,
A preciosidade do teu riso informal.

Quero desencontrar da rima no afã
De versejar teu abraço em cada manhã,
Desejar teu beijo com maior avidez,

Descobrir a todo momento um teu segredo,
Despertar em mim um misto de coragem e medo,
Te amar como se fosse a primeira vez.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 08 de janeiro de 1998
Abraço!