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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Una

Una


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eis que no arrebol ela passa, airosa,
Deliciosa, uma deusa desdenhosa,
Pele morena e um jeito provocante,
Voluptuosa, ginga de mulher fogosa,
Suave qual flor, rara como diamante.
Ah!, tivesse eu, tão ardente rosa!

No entanto, não pertence ela a ninguém.
Talvez seja afetação e esnobismo,
Ou, quem sabe, tenha medo de amar alguém,
Ser traída e atirada num abismo.

Deus! Isso, ironicamente, encanta -
Essa síntese gostosa, misteriosa,
De quem é poderosa e em tudo manda,
E, num átimo, criança frágil, chorosa.
Ora, quem é essa fada maliciosa?

Trago, marcada a ferro, nesse meu peito,
Esperança de tocar seu corpo amado,
Saber os segredos desse anjo perfeito.
Será nosso encontro, acaso, um fado?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de dezembro de 1994
Abraço!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Por amor

Por amor


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Por amor o coração descompassa,
Bate desafinado, intensamente,
Faz um silêncio que não passa,
Grita, enlouquecido, demente.

Por amor a alma faz segredo,
Se arrisca num mundo estranho,
Voa além dos seus medos,
Encanta-se com o seu mistério tamanho.

Por amor o corpo inventa desejo,
Queima de febre, mágico fogo,
Se rende ao santo pecado dum beijo,
Vence, sutil, seu inconsequente jogo.

Por amor damos o nosso melhor,
Aprendemos a compartilhar sonhos,
Dividimos, sobrevivemos ao pior,
Somos guerreiros, infantes risonhos,
Coração, alma e corpo numa nota só.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 11 de maio de 2013
Abraço!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

À Fulana flor

À Fulana flor


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


 Não sabes que és bela, ó flor campestre,
Triste, num canto, não sabes que és bela?
Não sabes que invejam teu olor silvestre,
Que sem ti não existe primavera?

Não me fales das rosas, tão orgulhosas.
Elas não tem (tão pobres!) tua ternura.
Não te disseram que tu és mui formosa?
As rosas não exalam a tua doçura!

Tantas cobiçam tua simplicidade,
Coisa rara, teu bucólico sorriso.
Saibas, não precisas chorar, ó beldade.
Tu és a flor mais bela do paraíso.

Não sabes que esta poesia é tua,
Que este poeta, por ti, se enamorou?
Não sabes que Diana, ao ver-te nua,

Linda, de puro despeito, se ocultou?
Te amo demais para não falar da tua
Inocente beleza que me encantou.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 23 de março de 1995
Abraço!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Docemente

Docemente


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Não quero um amor qualquer,
Desse que se inventa
Num final de noite,
Como se o sentimento
Pudesse ser reduzido
A um qualquer brinquedo.

Não quero apenas
A posse ardente da paixão,
Esse fogo intenso que, sozinho,
Não promete futuro
Nem gera o aconchego do colo
Depois do sexo.

O que quero é a paz
De um abraço longo,
A certeza de que ambos
Estaremos aqui até um fim
Além de nossos corpos.

O que quero é a doçura do sorriso
Em cada amanhecer,
A meiguice de ser compreendido
E de compreender
Até mesmo na sutileza
Dos pequenos gestos.

O que quero é o toque nas mãos
Com gosto de cumplicidade,
É o beijo suave que diz:
- " você me faz bem!",
É o prazer de estar com alguém
Por toda a vida.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 31 de outubro de 2013
Abraço!