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quinta-feira, 31 de março de 2016

Templo de ti

Templo de ti


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Era noite quando nasceu este poema.
Chovia saudade nessa noite morena,
Saudade de beijar sua boca pequena,

De sentir seu corpo vibrar, enlouquecido,
Num prólogo de gozo, me dar por vencido
Ante seu dom quase divino de fêmea,

Pois, ser feminina não é para qualquer mulher,
É para aquela que sabe que tem o poder
Para domar feras, sem deixar de ser serena.

No afã por seu amor, perdi as palavras,
Pois, palavras não sabem traduzir a alma
Nem a febre do corpo ou o sentimento.

Uma lágrima caiu, me fez companhia,
Batizou com saudade minha poesia,
Minha alma, meu coração...meu pensamento.

Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 09 de dezembro de 1996
Abraço!

sexta-feira, 25 de março de 2016

In memorian

In memorian

     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Esta canção é uma saudade
De tudo aquilo que se passou
Sem que o percebêssemos,
É a recordação, quase um pranto,
Pelos sonhos que morreram
Ao longo do caminho selvagem,
Alguns muito antes de nascerem.

Esta é a poesia dos amores
Perdidos ou escondidos,
A saudade do sorriso reprimido,
Das palavras não ditas
E das lágrimas que disfarçamos.

Estes são os versos que ainda se calam
Ante a doce lembrança
De nossas fantasias pueris,
Quando o amor era um carinho ingênuo
E o adeus parecia impossível.

Esta é a saudade de um tempo
Que o tempo levou,
De uma vida que não soubemos viver,
É o silêncio lúgubre da perda,
É a certeza dolente
De que poderia ter sido diferente.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 22 de setembro de 1993
Abraço!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Uma história como tantas

Uma história como tantas


   Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Ele nasceu numa cidade qualquer
Em qualquer canto do mundo.
Tantas vezes errou sem um destino sequer,
Apontado como mais um vagabundo.

Não teve pais, nem os conheceu,
Viveu algum tempo num orfanato,
Refém de um mundo que não era seu,
Sem ser feliz de fato.

Sentia-se um animal domado,
Resumido ao limite dos seus cuidadores.
Não entedia as regras, desamado
Na perspectiva das suas dores.

Então, fugiu, ansioso por liberdade.
Conheceu as ruas, as praças,
Dormindo às margens da sociedade,
Rindo-se da sua história sem graça.

Muitas vezes furtava para matar a fome,
Pedia, aceitava todo trabalho oferecido.
Valente, destemido, tornou-se homem,
Quando muitos acreditavam que seria bandido.

Ela nasceu num picadeiro,
Filha de dois artistas circences.
Sempre teve amor verdadeiro, 
Talentosa, dona de alegria inocente.

Seu mundo era a magia da arte,
Sonhos roubados dos livros que lia.
Hasteava o amor por estandarte,
Amor fecundado pelos romances que bebia.

Ele a viu no trapézio, divina,
E se apaixonou naquele momento.
Ela flutuava, mulher-menina,
Encantada, leve como o vento.

Ele, embevecido, esqueceu-se de ir embora
Quando o espetáculo chegou ao fim.
E, quando ela sentou-se ao seu lado, naquela hora,
Ele pediu para entrar para o circo, enfim.

Ela sorriu e perguntou por quê.
Ele respondeu: - "não tenho destino,
E é o único jeito de estar perto de você."
Fato é que, naquela hora, o homem era apenas um menino.

Ficou. Aprendeu a magia de fazer rir,
Tornou-se um palhaço encantador.
De repente, não tinha mais porque partir,
Pois, encontrara, nos braços dela, o amor.

Assim são as histórias da vida:
Caminhos se cruzam em algum lugar,
Corações se tocam, encontram guarita,
E, aquele que ia, encontra razão para ficar.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 12 de março de 2016
Abraço!

sexta-feira, 11 de março de 2016

Àquele que nos faz rir

Àquele que nos faz rir

   Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eu vi o palhaço
No circo da vida,
De rosto pintado,
De alma sofrida.

Eu vi o seu pranto
Ao invés de sorriso.
Eu vi o seu canto,
O seu paraíso,

A sua felicidade,
Uma caricatura
Da realidade - 
Como a vida é dura!

Eu vi o seu medo
Compondo sonetos.

Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 23 de abril de 2004
Abraço!