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domingo, 28 de abril de 2013

Ébrio soneto de saudade

Ébrio soneto de saudade


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eis que nos meus devaneios tu adejas, formosa,
Pássaro de suave canto, anjo e tão mulher,
Leve como brisa no amanhecer, tão airosa,
Verso que poeta nenhum foi capaz de conceber.

Ei-te me tirando o sono, domando meus sonhos,
Me embriagando de saudade, dona de mim,
Do meu riso, do homem, do poeta bisonho,
Ah! , eu nunca imaginei amar alguém assim!

Distante de ti, parece que parou o tempo,
Meu riso não tem graça, dói o meu sentimento,
Sou frágil, delgada relva ao sabor do vento,

Como um rio sem água, de sede morrendo,
Como um livro sem palavras, eu não existo
Sem ti, minha alma, meu alimento.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 01 de março de 1997
Abraço!

sábado, 27 de abril de 2013

A um amor distante


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Num dia frio, dia de chuva, quando os pássaros
Buscavam, friorentos, o doce calor de seus ninhos,
Eu não tinha onde ir (por onde dirigir os meus passos?),
Preso em meu quarto e tão distante do teu carinho.
Quisera voar como eles para o teu abraço,
Me aquecer ao teu contato, provar deste teu vinho.

Cultuando minha solidão, nasceu este poema,
Num rito dolente, próprio de quem sente saudade
Da pessoa amada e distante, d'alma gêmea.
No entanto, as lembranças tem dom de felicidade
E trazem consigo olor de tua pele morena,
O teu maravilhoso sorriso de cumplicidade.

Assim como os pássaros, depois da chuva, eu canto
E te encontro em cada acorde do meu violão.
Em cada canção me sinto tocado por teu encanto,
E não sei o que mais dói: o sentimento ou a razão.
Eis! , eis a esperança de te encontrar em qualquer canto
E te dar, já quase enlouquecido, o meu coração!


Daniel Carvalho Gonçalves
20 de novembro de 1996
Abraço!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

LImite

Limite


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Quisera que meus poemas fossem
Chuva no coração dos insensíveis,
Que fizessem germinar a semente do bem.

Quisera que todos os males possíveis
Fossem levados na enxurrada, além,
Para que os sonhos fossem inesquecíveis.

Tolo! Isso é demais pretensioso!
Tenho o fugidio poder da poesia,
Sou ultrapassado, belicoso,


Porém, demoddé, não tenho magia
Para vencer algo tão poderoso -
Me restam os versos e a melodia.

Ah! , mas os poetas são guerreiros de aço,
E eu morrerei buscando a paz
Em cada palavra dos versos que faço!


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 19 de julho de 2000
Abraço!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A um homem de aço


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Quem nunca chorou sozinho
A mágoa dum amor perdido?
Quem nunca chorou, sorrindo,
Enganando o coração ferido?

Que homem não cometeu loucuras
Para fugir da própria dor?
Quem não assumiu férrea postura,
Tentando disfarçar o amor?

Que homem não encontrou a amada
Na poesia de uma qualquer canção?
Quem nunca imaginou um conto-de-fadas,
Embriagado com o vinho da paixão?

Que atire, se houver, a primeira pedra,
E ria em desdém da fragilidade
De quem escolheu ser poeta
E amar com tanta intensidade,
Mas duvido que sua alma faça festa
Ao conquistar a verdadeira felicidade.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 15 de setembro de 2000
Abraço!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cigana


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Vieste, zíngara, nos sonhos meus,
Trazendo mistério em cada acorde,
Fazendo de teu encanto o meu deus,
Qual tivesses o condão da magia mais forte.

Nos arcanos de tua sensualidade
Dançavas ao som do meu silêncio,
Perplexo ante tanta intensidade,
Qual tivesses fogo soprado pelo vento.

Leste, impudica, o meu pensamento.
Qual tivesses o poder de um cartomante
Invadiste minh'alma - tormento!

Me fizeste, cigana, teu amante,
Teu homem, teu menino, teu invento,
Uma nota em tua canção vibrante.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 20 de julho de 2000
Abraço!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Lúbrico encanto


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Quero matar minha desmedida sede
Em tua deliciosa taça de vinho,
Me prender, febril, em tua rede,
Me embriagar até perder o caminho.

Quero teus lábios para matar minha fome,
Quero ser teu prato preferido,
Insaciável, fogo que desejo não consome.
Que me importa se como ou sou comido?

Quero me molhar em teu suor,
Batizar-me no sal de tua tez,
Mergulhar em teu segredo, cada poro,
Ser a chuva no cio do teu prazer.

Quero a loucura do teu agreste cheiro,
O poder de Eros ao tocar teus seios,
Te levar ao êxtase, ao céu primeiro.
E só então despertar do meu devaneio,
No aconchego do teu monte de Vênus, 
Na desordem dos nossos travesseiros.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 02 de janeiro de 2001
Abraço!