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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Inesquecível

Inesquecível


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eis que a saudade me possui, tão caudalosa,
Germinando qual relva em plena primavera,
Fecundando a poesia, misteriosa,
Poderosa qual síntese de deusa e fera.

Ignoto em minha solitude, te recordo,
Tão linda! Bem sei que Vênus te invejaria.
Tudo o que aspiro é ter você do meu lado
E te fazer saber o quanto te amo, ah!, queria

Te encontrar para falar, em meu encantamento,
O que não consegui dizer naquele momento,
Quando o seu sorriso me arrancou a calma.

Ficou um sussurro triste preso em meu sonho,
Uma mágoa frágil em meu rosto risonho,
Pois, tudo o que fiz foi lhe implantar em minha alma.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 02 de novembro de 1995
Abraço!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O maior encanto da vida (II)

O maior encanto da vida (II)


  Foto: Daniel carvalho Gonçalves



O que mais encanta a alma do poeta
Não é uma borboleta fazendo festa
Nos campos de uma primavera multicor,

Tampouco a noite, mágica em seus medos,
Ou o encanto de desvendar seus segredos,
Nem mesmo o condão frágil de um sonhador.

Ora! fascínio vero e infinito
Não nasce do tolo desespero dum grito
De quem pede, com afã, ajuda divina.

O que mais encanta a alma do poeta,
Levando ao êxtase a sua quimera,
É a simplicidade da mulher amada,

Cada riso seu, cada brilho em seu olhar,
O fogo ardente em sua pele nua,
Sua leveza, como se pudesse voar, 
A beleza e a grandeza da alma sua.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 20 de novembro de 1996
Abraço!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Soneto da conquista

Soneto da conquista


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


O sonho aconteceu, de repente,
Como um raio iluminando a noite,
Como bote certeiro de uma serpente
Ou o golpe ligeiro de algoz açoite.

Adentrou os domínios frios da rocha,
Escravizou e domou seu sentimento,
Provocou medo, apagou as tochas
Da escassa iluminação, furioso vento,

Fazendo do arrogante deus um menino,
Ensinando o amor dum jeito dolente,
Provocando desejo com índole de vinho.

Só mesmo uma mulher com jeito inocente
E malícia agreste de espinho
Para jogar aos seus pés meu sonho demente.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de dezembro de 2000
Abraço!


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Somente tu

Somente tu


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Qual mulher é como tu, quimera gentil,
Capaz de compreender os meus fracassos
E incitar-me à luta, qual divina
Criatura que sabe, doce e sutil,
O poder que exerce sobre meus passos
E se esconde num rosto de menina?

Qual mulher é como tu, deusa morena,
Que resplandece como rubro arrebol,
Cuja beleza transcende estas rimas,
Pois, tens na alma uma aura serena?
Qual mulher tem no corpo magia de sol, 
Cuja doçura nunca, jamais termina?

Qual mulher tem o teu encanto, bela flor,
Cujos lábios são pura fonte de mel,
Cujos olhos irradiam malícia?

Qual mulher pode despertar-me ao amor,
Fazer-me acordar num pedaço do céu
E enlouquecer-me de felícia?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 10 de maio de 1995
Abraço!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Pretenso poema de amor

Pretenso poema de amor


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Tivera a pretensão de poetizar o amor,
Mas todo poema de amor é finito, tolo,
Ante o colosso poético dum sentimento,
Pois, palavra nenhuma tem o poder de expô-lo.

Mas o desejo era fogo queimando, intenso,
Em minha alma encantada pela mulher amada,
E dele nasceram uns versos disformes, alento
Dum sonhador, bisonho ante seu jeito de fada.

Pudera apenas, limitado, dizer "te amo",
Sem lhe contar da felicidade e do encanto,
Da saudade que, sutil, me assalta por inteiro

Durante todo o tempo longe do seu contato,
Do sonho que se renova sempre que estou ao seu lado,
E que lhe faz a única dona dos meus segredos.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 16 de maio de 1997
Abraço!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Nas asas dum anjo

Nas asas dum anjo


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Vieste como brisa gentil no alvorecer,
Ainda semente do vendaval que hoje és,
Ainda instante, feto de eternidade,
Sutil e poderosa como possessão de fé.

Vieste como orvalho no calor da noite,
Regando meus sentimentos sem que eu notasse,
Domando-me qual tivesses mágico açoite,
Fazendo, mulher, com que eu te adorasse.

Vieste com a inocência poética
De uma rosa, mistura perfeita, gostosa,
Do mais seleto vinho com o mais puro néctar.
Tu, deusa-flor, sabes tão bem ser maliciosa!

És um anjo santificando os meus pecados,
Um demônio corrompendo os meus desejos,
Uma virtude que preciso ao meu lado,
Um vício raro, estranho, chamado amor,
Encanto nascido sem ensaio, sem ensejo.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 20 de setembro de 1997
Abraço!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Anjo maldito

Anjo maldito

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves



Tu entraste em minha vida qual fosses fogo intenso,
Qual febre louca, provocando delírio imenso,
Sem perguntar ao poeta se ele queria te amar.

Eis que o poeta te fez musa de todos os seus poemas,
E o homem te desejou como a mais gostosa fêmea -
Ambos sofrem ao beberem do doce fel deste encantar.

Tu sabes do mal que me fazes e do bem que me provocas,
Conheces meu lado frágil, inconsequente me dominas.
Percebes, porventura, que eu não consigo viver sem ti?

Tu és semelhante a uma furiosa tempestade,
Arrastando tudo ao seu toque, qual fosses majestade.
És diva verdade ou uma simples ilusão que vivi?

Enfim, és o resumo símplice de pura malícia,
Mas te quero porque sei que podes provocar felícia.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 23 de agosto de 1995
Abraço!