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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O meu mundo sem você

O meu mundo sem você


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Se eu lhe perdesse algum dia,
Eu ainda saberia sorrir,
Mas seria um sorriso amargo,
Como o sorriso de quem
Pressente a própria morte.

Sem você haveria flores,
Mas elas não seriam tão lindas,
Não teriam tão gostoso perfume,
Seriam tristes e sombrejantes cores
Em meu jardim outrora tão belo.

Haveria, ainda, muitas canções
Se eu lhe perdesse algum dia,
Mas suas rimas seriam lúgubres,
E se perderiam, disformes,
No desespero de minha amante alma poeta.

Sem você, brilhariam meus olhos - 
Um prelúdio de lágrima.

Meus gestos, antes tão cheios de vida,
Seriam patéticos;
Minhas palavras seriam consumidas pelo silêncio;
Todo o meu mundo seria uma lembrança cruel
de um sonho que se perdeu sem você.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 13 de setembro de 1993
Abraço!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Olhos da fé

Olhos da fé


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eu vi o mundo sem lágrimas tristes,
A vida sem o abraço da morte;
Vi os homens imortais,
Sem a futilidade da guerra.

Ah! Eu vi todos se abraçando como irmãos,
Sorrindo o lindo sorriso da cumplicidade;
ouvi as canções falando do amor
Intenso e verdadeiro,
E senti meu coração pulsar célere
Ante nobreza tão pura.

Eu vi o mundo sem pobres,
Onde todos eram iguais,
Onde a nobreza maior era a de espírito.

Eu vi o mundo onde todos eram fortes,
Sem fome, sem enfermidades,
Sem sofrimento.

Eu vi um mundo onde havia um só Deus
E pessoas felizes que o adoravam;
Vi o mundo sem religiões.

Eu vi os homens e os animais
Brincando, inocentes, em paz.
Eu me vi neste paraíso
Que surgiu da possibilidade da minha fé.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 29 de outubro de 1993
Abraço!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

À musa que não me percebe

À musa que não me percebe


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Arde um sol de mistério em teu olhar
Tal como nos olhos de ninguém se faz notar,
Me inflamando a quimera qual magia,
Como se tivesses na alma a poesia
Que esse louco poeta não sabe rimar.

Como amo teu sorriso irreverente,
Riso de mulher que sabe ser diferente.
Tu, de especial, passas a ser divina.

Tens em tua pele o olor do pecado,
Pele morena, tu sabes bem ser meu fado,
Me envolver em tua aura feminina.

Então, pergunto se não sou pretensioso
Ao te pedir um pedaço do teu coração.
E lágrimas dolentes molham o meu rosto
Ao notarem que te amo com tanta paixão.

Deixo, nestas pautas insignificantes,
O eco do meu coração por ti pulsante:
- "Deixa-me ser teu por qualquer instante."


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 06 de agosto de 1995
Abraço!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Onde nasce a poesia

Onde nasce a poesia


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Esta poesia caiu com a chuva, suavemente,
Deslizou pelo meu coração, sussurrando teu nome,
Frágil, carente como feto no útero da saudade.

Como se tivesse índole própria, falou do amor
Do poeta por ti, tão inconsequente. Sem nenhum pudor,
Rimou encanto e volúpia com naturalidade.

Se encabulou com a serenidade do teu sorriso,
Se embebedou com a sensual magia do teu corpo,
E brincou, infante, de desejo. Oh! Pobre poesia!

Deixou-se inspirar, dependente, por tua cor morena,
Apaixonou-se por teu perfume sutil de açucena,
Te fez deusa como se tivesse condão de melodia.

Foi lágrima em meus olhos, sentida dor de ausência.
Foi riso em meus lábios, prenúncio de demência.
Me entregou para ti de corpo, alma e coração.

Acaso pode a poesia nascer sem minha razão?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 23 de janeiro de 1995
Abraço!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A razão do meu viver

A razão do meu viver


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


A mulher que eu amo
É a mais linda do mundo,
Não me importa o que os outros digam.

Sabe ser menina no momento certo,
Sabe ser doce e inocente
Como uma flor meiga e perfumada,
Espalhando carinho em meu sonho menino.

Sabe ser mulher como ninguém,
Sabe ser selvagem e maliciosa
Como fera no cio, quase inconsequente,
Despertando desejo em meu sonho de homem.

A mulher que eu amo não tem pudor,
Mas tem momentos de timidez;
Às vezes é anjo;
Às vezes é fera;
Às vezes é quieta
E, ainda outras, é louca.

A mulher que amo sabe ser a canção,
Sabe definir o silêncio,
Sabe ser o meu tudo,
Sabe que não sei calar o meu amor,
Não importa o que os outros pensem.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 18 de dezembro de 1993
Abraço!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Vence a ti mesmo

Vence a ti mesmo


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Quando tuas próprias sombras
Te ocultarem a razão de sorrir,
E, sutilmente, desbotarem teus sonhos,
Ignora teu infortúnio (pois é passageiro),
Rebusca a alma
E desprende do teu íntimo reprimido
A sede de vida,
A força para lutar
Ante a mais selvagem tormenta.

Vence, vence a ti mesmo,
Pois, a esperança, de ti,
Ninguém pode roubar!

Quando a solidão,
Silenciosa e ferina,
Te parecer inexorável;
Quando as lágrimas,
Frias e cúmplices,
Parecerem inevitáveis;
Ergue o teu sorriso
Como se ergue a espada na vitória,
Deixe brilharem os teus olhos
Como se deslumbrassem o mais belo arrebol,
Ignora a dor
E vence a ti mesmo.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 28 de janeiro de 1993
Abraço!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Um conto de natal

Um conto de natal


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


       Já era véspera de natal e "Zé" Manuel ainda não comprara o presente do filho. Não pudera. Bem que olhara uns brinquedos na cidade, "coisa cara", até um tal de "vídeo-gueime".
    O moleque tinha apenas cinco anos, pingo de gente, era inteligente. "Nisso não puxara o pai", dizia, "bem que merecia um agrado."
      "Zé" Manuel passara o dia procurando por algo que pudesse fazer o filho feliz, mas o trabalho honesto e suado na roça não lhe rendia quase nada.
     Na manhã de natal, o pobre agricultor estava ainda mais acabrunhado, recostado junto ao fogão à lenha, enquanto a mulher coava o café, quando o filho se recostou no seu peito e lhe deu um abraço: - "cê tá choando" papai! "cê tá" dodói?"
       Ele olhou para a mulher e, logo em seguida, para o filho: - "não, "fio", é que eu queria te dar um presente e "num" tenho dinheiro."
         O filho sai do abraço do caipira e, depois de alguns minutos, volta correndo com um carrinho feito de garrafa pet, faltando uma roda pelo uso, sorrindo e com os olhos brilhantes: - "eu já tenho o "cainho" que "cê" fez para "mim" brincar."
       A felicidade é feita de pequenos gestos, de carinhos genuínos, de amor verdadeiro, quando o presente mais importante ninguém compra, pois, vem do sentimento mais nobre na alma do homem: o sorriso das pessoas que amamos.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 26 de novembro de 2000
Abraço!