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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Simplório resumo de tudo

Simplório resumo de tudo

     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


És lua graciosa brilhando por entre diáfanas nuvens.
Sou tão somente um poeta perplexo ante tua beleza,
Reticente, pois, me roubas as palavras, deusa de um mal ou bem
Que me embriaga a alma com encanto de sutil leveza.

Que saudade do teu beijo em meu amanhecer - seleto vinho!
Teu olor primaveril, em cada poro ainda se faz presente.
Teu sorriso brejeiro é um fulgente febo em meu caminho,
Tua voz é música germinando da mais diva semente.

Teu corpo é magia que inspira pecado, um prenúncio
De paraíso, excelsa poesia feita de silêncio,
E, por tal razão, indefinível através de simples palavras.

És tudo: a mulher que amo, meu ar, minha razão para viver,
Minha crença no amanhã, a fé, o ideal pelo qual morrer,
A inocente malícia que vibra em minhas pobres rimas.

Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de abril de 1997
Abraço!

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Só de estar ao seu lado

Só de estar ao seu lado


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Divaguei em minha alma silente,
Eco do silêncio da alvorada,
Prenúncio duma tempestade dormente

Nas rimas deste ignoto poeta.
Me embriaguei com o sono da mulher amada,
Quis no seu sonho olhar pela fresta,

Invadir o domínio dos seus medos,
Dispersá-los para muito distante;
Quis, profano, descobrir seus segredos;

Quis o poder de me jogar nesse sonho,
Me atirar em seu abraço, másculo e infante,
Desarmar-me na magia desse dom estranho.

Decidi, já com sono, apagar a luz,
Pois, nessa simplicidade a felícia se traduz.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 08 de junho de 1999
Abraço!



quinta-feira, 28 de julho de 2016

Sem disfarce

Sem disfarce


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Não sois flor,
Sois primavera,
Quase dor,
Quimera.

Sois divina, 
Estrela, celeste.
Mulher-menina,
Anjo agreste.

Sois magia,
Alvorecer.
Da poesia
O "inesquecer".

Sois sol, luz,
Conto-de-fadas.
Vosso olhar seduz,
Vos faz amada.
Sem vós não sou nada.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 01 de outubro de 1999
Abraço!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Lembrança que fere a alma

Lembrança que fere a alma


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Saudade é ter distante e perdido
Um pedaço da alma,
É ter triste o sorriso,
É ter por consolo a lembrança,
É regredir no tempo,
Ser infantil,
Conversar com as lágrimas,
Se perder na canção,
Esquecer de esquecer.

Saudade é busca
Que nunca perde a certeza,
É  sempre sonhar com o abraço amado e amante,
É loucura dócil que fatiga o corpo
Ante o tudo que se transforma em nada
Na ausência do ser querido.
É nada além de um desejo sem fim
De apertar a pessoa amada nos braços,
Roubar mil carinhos,
E tê-la sempre presente.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 30 de setembro de 1992
Abraço!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Paradoxo

Paradoxo


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Grito, preso em minha alma,
E ninguém me ouve.
Apenas o silêncio me envolve
Como se fosse um manto de aço,
Ocultando minha fragilidade.

Serei eu tão forte assim?

Me desespero ante a dor
Sufocante da saudade,
Mas ninguém é capaz 
De ver essa angústia
Nem tampouco as lágrimas
Que caem por trás do meu sorriso.

Interpretarei tão bem assim?

Com a esperança já exânime
Ignoro minha dor
E persisto, enlouquecido,
No sonho que me fere.

Assim agem os fortes!

De repente, sou poeta.
Em rimas, pobres rimas, extravaso o amor,
Minha bênção e maldição,
E muito poucos entendem o que escrevo.

Entenderá quem eu amo?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 11 de julho de 1994
Abraço!

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Ausência

Ausência


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Porventura pode um poema definir o vazio de uma ausência?
Palavras, por mais sinceras que sejam, não sabem traduzir o que é saudade,
Nem podem explicar a angústia de estar sozinho, apenas com os sonhos,
Sonhos que doem no peito como se quisessem roubar a felicidade,

Sonhos que extravasam esperança de encontrar novamente o ser amado,
E que mantém ardendo a chama da vida, alimentando-a de sentido.
Por ironia, em nossa fragilidade, somos fortes o bastante para chorar
Em silêncio essa mágoa e sorrir, na certeza que em nosso caminho,

No caminho do poeta, no passar do tempo, nos minutos que parecem horas,
Encontraremos, de olhar brilhante e sorriso lindo, a pessoa amada.
Acaso pode um poema definir a magia sentimental desse momento?

É como um cego vislumbrar pela primeira vez a beleza do amanhecer.
É assim quando encontramos o amor, como a fé que, enfim, pode acontecer.
Somos como pássaros que descobrem, depois da fuga, a liberdade do vento.


Daniel Carvalho Gonçalves.
Escrito em 07 de dezembro de 1995
Abraço!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Perfídia

Perfídia


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Pode alguém, de direito, privar-nos de nossos sonhos?
Acaso um deus, em nome de um estandarte qualquer?
Não é, porventura, perfídia dum fado bisonho
Ofertar o que, por sua imposição, não pode ser?

Pode alguém compensar as lágrimas inevitáveis
Que reprimem o riso da expectativa anterior?
São felícia e esperança assim tão mutáveis?
Por que somos tão frágeis, tão ínfimos no interior?

Eis que não controlamos o nosso próprio destino.
Somos expectadores do melhor, quem sabe, meninos
Perplexos ante o colosso indeterminado da vida.

Nós somos heróis lutando contra o desconhecido,
Somos brinquedos do acaso ou pássaros feridos,
Somos loucos lutando, frágeis, pela própria vida.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 24 de novembro de 1995
Abraço!