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domingo, 24 de janeiro de 2016

O vencedor

O vencedor

            Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Subir ao ringue da existência
Com a convicção de vencer.
Desafiar o destino
Em cada assalto,
Exorcizando o próprio medo
Num gesto titânico de ousadia.

Mas se é da vida ir à lona,
É dos fortes o dom de insistir,
Resistir.
É dessa força que exsurge a vitória,
No dom de lutar além do cansaço,
Além da dor.

De se acreditar num sonho
É que se constrói um herói,
Um vencedor.
É de não se ter medo do fracasso
Que se criam as lendas
E se conquista o aplauso,
O reconhecimento.

Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 10 de outubro de 2000
Abraço!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Somente a quem amo

Somente a quem amo


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


És a flor que encanta
Como se mágica tivesses
Em cada pétala.
És a música que inspira meus sonhos
E liberta o poeta em mim.

És um sol que, ao sorrir,
Faz sorrir minha alma.
És a estrela mais bela
Que me guia a um lugar seguro
Ao cair da noite sobre mim.

És uma chama ardente
Que me aquece ao seu contágio
Como se fosses hálito de vida.
És a fé que me excita
À esperança de que dias melhores virão.

És lágrima se estás ausente.
Quem não chora por amor?
És lágrima, e, como uma lágrima, estás comigo sempre,
Mesmo distante,
No riso mais intenso 
Ou na dor mais insuportável.

És o silêncio que prenuncia tempestade,
A calma que prologa um vendaval;
Mas és também o contrário de si mesma.

És um mistério adocicado
Que brinca de código
Num livro aberto.
És a razão dessa minha loucura,
A demência que me faz lúcido,
Pois, és, enfim, o que não sei explicar.

És joia rara,
Beleza tão cara,
De simplicidade intocável,
Caráter lapidado no mais puro diamante,
És deusa, anjo,
Veneranda representação do amor.

És mulher como nenhuma outra.
És aquela que amo
Como nenhum poema,
Nenhum olhar
Ou gesto
Conseguirá te dizer.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 01 de setembro de 1995
Abraço!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Divagação

Divagação

     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Descobri que ser poeta não é apenas
dar ritmo às palavras,
mas é ter algo insano na alma,
algo como o poder de invadir
o sentimento das pessoas, 
dizendo tudo aquilo que elas gostariam de dizer.

É como se fosse um bruxo
que trouxesse para fora
 e expusesse suas fantasias,
seus sonhos mais íntimos,
suas histórias, suas decepções,
seus segredos e suas esperanças,
e fizesse de tudo isso uma canção,
pois as pessoas amam o reflexo de si mesmas.

Descobri que fazer rir ou chorar
não depende de mais ninguém, 
exceto de quem ouve ou vê,
porque suas ações ou reações
dependem de sua própria maneira de ver a vida,
e o poema talvez seja o canal
mais estranho de se reconhecerem.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 11 de maio de 2007
Abraço!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Toma-me em seus braços

Toma-me em seus braços


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Toma-me em seus braços
Qual um menino desamparado,
Aquece-me ao seu contágio
Como uma chama sensual
Que me entorpece os sentidos.

Envolva-me em seu abraço,
Me arranca, sedutora, os meus segredos,
Desnuda meu corpo e minha alma.
Como se fosse dona de mim
Rebusca meus medos e desejos,
Prenda-me em seus encantos feminis.

Escraviza-me ao seu beijo,
Faz-me dependente dos seus carinhos,
Como se fosse um vício,
Acende em mim a vontade de ser sempre seu.

Toma-me em seus braços,
Me arranca o pudor,
Desnuda seu corpo macio
E deixa que eu lhe ame como um louco,
Homem e menino,
Como nem mesmo a poesia
É capaz de lhe dizer.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 05 de junho de 1999
Abraço!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Medo

Medo

     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Enlouquecido, tive medo da noite,
Tive medo do seu algoz açoite,
Medo de minha própria soledade.

Tive medo como se fosse menino,
Como se não pudesse fugir do destino,
Medo de não explicar tanta saudade.

Tive medo, sim, do meu eu sonhador,
Medo de um dia perder seu amor,
Medo duma lágrima rolando no meu coração.

Tive medo como um homem sem Deus,
Medo de você fugir dos braços meus,
Medo de lhe adorar com tanta paixão.

Você veio, mágica, e roubou da noite o segredo,
Como se tivesse n'alma o sol mais intenso.
Com um beijo cúmplice matou o meu medo,
Se fez a poética felícia daquele momento.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 31 de julho de 1998
Abraço!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Caminhos

Caminhos

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Entristecido e perdido em mim mesmo
Divaguei sozinho, rumo a qualquer lugar.
Era como se eu tentasse me encontrar.

Trocaria eu lágrimas por um sorriso
Se encontrasse, acaso, o paraíso?
Ora, seria o Édem o suficiente
Para dar sentido à minha alma carente?
Ah! Um novo sonho se fazi preciso.

Chorei como se fosse ainda menino,
Abracei a mim mesmo como se pudesse
Fugir deste sentimento frio, ferino,
Que a vida quis me impor - esta solidão.

Devaneando, parei a sentir o vento, 
E perdi, distraído a noção do tempo.
Fiquei ali, tolo, à beira do caminho,
Na breve expectativa de um carinho.
Então, desesperado, gritei sem alento,
Numa prece dolente a alguém, sozinho.

Então, brilhou a luz do fundo de um olhar, 
Encantadora como as vagas de um mar,
Revelando a doce magia de mulher
Que sabe, sutil e gentil, tudo o que quer.

Como um sonho, a sua pele serena
Se misturava, doce, à noite morena,
Pele de deusa, meiga flor de açucena.

De seus lábios fugiu uma doce canção
Que trazia o amor numa louca razão.
(Pode-se ignorar tão maravilhoso som?)
Eu me perdi no tom do seu vermelho batom
E deixei reviver no meu peito a paixão.

Num átimo, explodi de felicidade,
Como quem encontra a própria verdade!

Hoje, poesia no meu peito inflama,
E amo, constante, àquela que me ama;
E deixo, neste poema a certeza
De que lhe amarei pela eternidade.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 24 de junho de 1994
Abraço!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Soledade

Soledade


     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Nessas intermináveis horas mortas,
Preso na escura solidão do meu quarto,
Veio a saudade bater à minha porta,
Dorida como se fora venenoso dardo.

Quisera enganar o meu sentimento,
Fingir que não amo com tanta loucura,
Inventar um qualquer pensamento - 
Eis que não posso roubar do mel a doçura!

Não sentir saudade é renegar a mim mesmo,
É cruzar o deserto, endoidecido, a esmo,
É mendigar verdadeira felícia.

Ah! Essa musa divina e estranha,
Que nasce do parto de paixão tamanha,
Tão sem nexo: útero de dor e delícia.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de julho de 2000
Abraço!