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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Orgulho mineiro

Orgulho mineiro


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Sou bicho correndo no mato, 
Me esquivando de medo,
Armando, silencioso, meu bote,
Serpenteando veneno.

Sou rocha de montanha mineira,
Incólume, protetor.
Sou peito aberto, poema
Derramado nas curvas
De antigos caminhos.

Sou flor do cerrado,
Canção brotando em olhos d'água,
Simplicidade matando a sede.
Sou poeira de estrada
Esperando chuva.

Sou o mistério da noite escura, 
O grito dos que não podem gritar.
Sou o desespero de uma prece,
A calma de um agradecimento,
Sou negro, índio e branco,
Sou filho de Minas Gerais.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 21 de novembro de 2015
Abraço!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Como o vento

Como o vento

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Trouxestes nos olhos uma adaga,
Fria como límpidas águas de um rio.
Tudo disseste apesar de calada,
Pois, tens magia em teus lábios macios.

Trouxeste sonho com teu riso malicioso,
Volúpia em teu corpo lindo e febril,
O calor de um vinho num dia chuvoso,
O doce pecado de tua dança feminil.

Vieste tão rápido que me deste medo,
Medo de deixar que entrasses em meu segredo,
Dominasses minha fortaleza de aço,

Me fizesses teu servo, teu amante,
Depois partisses para muito longe,
Deixando apenas saudade do teu abraço.

Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 28 de julho de 2000
Abraço!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Apocalipse

Apocalipse

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Tempestade em fúria, meu coração descompassa
Neste estranho amor que não passa,
Disfarça,

Finge que te esqueceu,
Que te perdeu,
Morreu.

No espelho o homem sorri, dolente,
Do poeta, do sonho inocente,
E, então, silente,

Foge, ocultando seus olhos vermelhos,
Como se fora algum segredo
Seu exótico medo

De saber-se menino,
De não saber seu destino.

Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 23 de janeiro de 2001
Abraço!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Sina inevitável

Sina inevitável

    Foto: Daniel Carvalho Gonçalves



Ai, que num mundo agreste e indolente,
Onde a desventura é fado constante,
Se versejam, irônicas, rimas de amor.

Ali, por entre pedras e entre espinhos,
No inferno que orleava um caminho,
Nasceu, viçosa e sonhadora, uma flor.

Breve se fez tarde, o seu primo arrebol,
E em sua inocência, abraçou o sol,
Admirada e reverente: - "és tão gaio!"

Veio a noite tépida, de brisa mansa, 
E ela sonhou, repleta de esperança, 
Com seu galante amado, febo doirado.

Assim, despertou, cálida e poética,
Sem conhecer a sua sina patética,
Pois, ao fim do dia, jazia exânime.

Ora, a perfídia do destino quis que
Seu amado fosse também seu carrasco,
E ela morreu, sentida, por seu amor impossível.


Danile Carvalho Gonçalves
Escrito em 05 de janeiro de 1995
Abraço!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Poesia de mulher

Poesia de mulher

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Comparei-te a um raio de luz
Numa gota de orvalho em pétala de flor,
Pois, teu olhar, menina, seduz,
Aquece, arde em mim qual febril fervor.

Calei-me, profano e reverente.
Com o coração te fazia um poema,
E, com malícia, fazia-me de inocente,
Desejando teus encantos de fêmea.

Mas o amor é um rio sem nexo:
Foge do oceano e do seu amplexo.
Não resistindo, se entrega de corpo e alma.

O amor é a poesia de te poetizar menina
E te querer mulher, síntese feminina
No coração de quem, de amor, se desarma.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 20 de julho de 1999
Abraço!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Incontrolável

Incontrolável


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Não me agrada a metria.
Sou sentimento,
Tempestade, não a rocha fria,
Inexplicável alento.

Sou fogo solto na mata,
Sou água matando a sede.
Meu poema é mesa farta
De dores e amores numa mesma rede.

A metria limita,
Prende, escraviza,
Algema, irrita,
Doma e banaliza.

Sentimento é rio caudaloso,
É mar em dia de tormenta,
Não pode ser contido,
Medido.
Um poema são palavras brincando gostoso,
Como magia que se alimenta
Da liberdade de um destino imprevisto.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 28 de setembro de 2015
Abraço!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Soneto de contraste

Soneto de contraste

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Existe uma canção no seu sorriso,
Uma harmonia que encanta, entontece,
Me faz acreditar que o paraíso
Tão sonhado, ao seu lado, acontece.

Existe, em sua malícia, uma serpente,
Seduzindo com promessas de sabores,
De fruta exótica, de beijos quentes,
De pele nua, de insondáveis amores.

Como pode a serpe ser também um anjo,
E esconder mistérios em seu doce arranjo,
E dominar tanto a alma do poeta,

Que, para ele, estar nessa prisão,
E não ser sequer dono do seu coração,
É razão para viver em festa?


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 28 de setembro de 2015
Abraço!