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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Ab imo pectore

Ab imo pectore

     Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Borboleteava pelo tempo, sem destino,
Qual fosse uma áurea folha de outono,
Um tolo talvez, desprotegido menino
Ante o orgulho de seu próprio sonho.

Mas, eis, nesse caminho, a mais doce ventura!
Na orla mais agreste, olhos de sol
A iluminarem, gentis, a mais bela criatura,
A mulher que deu ao meu sonho a cor do arrebol!

Eu, que de amor nada entendia,
descobri, então, o dom da poesia
E a eternidade de uma sentimento.

Eu, que só em puro desdém sorria,
Tenho hoje o encanto duma melodia
E um amor que durará além do tempo.

Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 22 de novembro de 1998
Abraço!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Meu mundo romântico

Meu mundo romântico

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Evoco a inspiração
Em minha alma silenciosa,
Num ritual poético,
Reverente ao sentimento,
Averso à forma.

Deixo singrar as palavras
Como se fossem barcos de papel
Ao bem-querer dum mar inquieto:
Contesto a frialdade da metria.

Sou um apaixonado,
E o amor não é milimétrico,
Não se resume,
É um infinitivo poético,
De rima casual e gestos fáceis,
Inconcebível no limitado
Útero da forma.

Prefiro o calor
De um sentimento
E a gentil infância
Do meu mundo romântico.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de agosto de 1999
Abraço!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Motivo de uma deusa rara

Motivo de uma deusa rara

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Maravilhosa chuva de estrelas cadentes
Riscando o mistério do firmamento escuro,
Voluptuosa em tua feminilidade ardente,
Encantadora como o anjo mais puro,

Deusa entre todas as flores do mundo,
Deliciosa qual o mais delicado vinho,
Absoluta em meu sentimento profundo,
És, num dia frio, o calor de um ninho.

Qualquer analogia é signo de admiração,
É tua divindade brincando com meu medo,
Invadindo docemente meu infante coração.
Ora! Meu amor por ti não é nenhum segredo!

As juras de quem nada é além de um poeta
Podem ainda não te dar o mundo aos teus pés.
Por isso, tu, que a gana de vencer me emprestas,
Ouças estas rimas que nascem de minha fé:

hei de dar-te ainda um pedaço do paraíso,
Algo tão mágico e lindo como o teu sorriso.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 19 de julho de 1998
Abraço!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Além da poesia

Além da poesia

  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


As vezes me calo, perplexo,
Como se calasse meu pensamento,
Pois, as palavras nascem sem nexo,
Numa tempestade de puro silêncio.

E, no vazio destas palavras não ditas,
Eu te beijo e te abraço, te faço divina,
Na esperança que esse gesto permita
Que tu saibas o quanto te amo, mulher-menina.

Ah, se tu soubesses como acho gostoso
Acordar ao teu lado em cada alvorecer,
VEr o teu sono, te desejar, malicioso,
Constatar que o meu amor por ti vai só crescer.

Aí, me sinto poeta, homem que, jamais, um dia,
Imaginou amar a uma mulher com tanta poesia.


Daniel Carvalho Gonçalves
escrito em 02 de março de 1999
Abraço!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Inesquecível

Inesquecível


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


Eis que a saudade me possui, tão caudalosa,
Germinando qual relva em plena primavera,
Fecundando a poesia, misteriosa,
Poderosa qual síntese de deusa e fera.

Ignoto em minha solitude, te recordo,
Tão linda! Bem sei que Vênus te invejaria.
Tudo o que aspiro é ter você do meu lado
E te fazer saber o quanto te amo, ah!, queria

Te encontrar para falar, em meu encantamento,
O que não consegui dizer naquele momento,
Quando o seu sorriso me arrancou a calma.

Ficou um sussurro triste preso em meu sonho,
Uma mágoa frágil em meu rosto risonho,
Pois, tudo o que fiz foi lhe implantar em minha alma.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 02 de novembro de 1995
Abraço!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O maior encanto da vida (II)

O maior encanto da vida (II)


  Foto: Daniel carvalho Gonçalves



O que mais encanta a alma do poeta
Não é uma borboleta fazendo festa
Nos campos de uma primavera multicor,

Tampouco a noite, mágica em seus medos,
Ou o encanto de desvendar seus segredos,
Nem mesmo o condão frágil de um sonhador.

Ora! fascínio vero e infinito
Não nasce do tolo desespero dum grito
De quem pede, com afã, ajuda divina.

O que mais encanta a alma do poeta,
Levando ao êxtase a sua quimera,
É a simplicidade da mulher amada,

Cada riso seu, cada brilho em seu olhar,
O fogo ardente em sua pele nua,
Sua leveza, como se pudesse voar, 
A beleza e a grandeza da alma sua.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 20 de novembro de 1996
Abraço!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Soneto da conquista

Soneto da conquista


  Foto: Daniel Carvalho Gonçalves


O sonho aconteceu, de repente,
Como um raio iluminando a noite,
Como bote certeiro de uma serpente
Ou o golpe ligeiro de algoz açoite.

Adentrou os domínios frios da rocha,
Escravizou e domou seu sentimento,
Provocou medo, apagou as tochas
Da escassa iluminação, furioso vento,

Fazendo do arrogante deus um menino,
Ensinando o amor dum jeito dolente,
Provocando desejo com índole de vinho.

Só mesmo uma mulher com jeito inocente
E malícia agreste de espinho
Para jogar aos seus pés meu sonho demente.


Daniel Carvalho Gonçalves
Escrito em 25 de dezembro de 2000
Abraço!